O uso sucessivo do solo impõe a retirada de nutrientes que precisam ser repostos para que eles continuem férteis. E além dos componentes químicos, uma das opções pode ser a matéria orgânica, considerada o ponto de equilíbrio para o solo porque uma das suas funções é ‘‘segurar’’ a água. Aliás, a matéria orgânica pode ser um dos principais fatores responsáveis pelo aumento da produtividade porque tem a capacidade de regular vários mecanismos e da vida no solo, como boa estruturação, porosidade para a retenção de água e manutenção de fungos e microorganismos benéficos à planta.
  ‘‘Mas o componente maior de expressão da fertilidade para a planta é a água porque se a água é suficiente a planta tem sua alimentação facilitada. Tudo o que entra na planta é pelo fluxo da água do solo; por isso a água é o mais importante insumo para o aumento da produtividade’’, observa o pesquisador Antônio Costa, do Iapar. Outro fator que pode contribuir para o aumento da produtividade é a rotação de culturas, uma vez que há plantas que aumentam a matéria orgânica no solo, como as gramíneas (milho e trigo), cuja matéria tem decomposição mais lenta. As plantas forrageiras também podem ser utilizadas. O plantio destas culturas pode ser intercalado ao da soja, por exemplo.
  A integração entre a lavoura e a pecuária também é uma das alternativas de conservação da fertilidade do solo. As plantas forrageiras ocupam o solo por mais tempo e não há necessidade de revolver a terra. Outro exemplo é o plantio direto, manejo já usado em 50% a 60% da área de culturas anuais no Paraná. No entanto, o plantio direto deve ser aliado à práticas mecânicas utilizadas para conter a enxurrada, como as curvas de nível, que ainda podem segurar a água na propriedade. Na avaliação do pesquisador, o plantio direto é muito mais eficiente do que o convencional porque requer menos uso de fertilizantes, não revolve o solo, permitindo uma melhor dinâmica entre os nutrientes.
  Os sistemas florestais também podem ser utilizados porque são eficientes no manejo de conservação do solo e da água e por manter a sua fertilidade. ‘‘A erosão é um dos processos que mais prejudicam o agricultor e a agricultura porque leva os nutrientes e a água do solo’’, comenta o pesquisador. Ele acrescenta que as terras paranaenses poderiam ser mais férteis se não fossem os processos erosivos intensos ocorridos nas décadas de 70 e 80.
  ‘‘Estes processos agrícolas comprometeram a qualidade de vida nos meios rural e urbano porque despejaram nos mananciais uma maior quantidade de sedimentos. Quem mais perde economicamente são os agricultores porque cai a fertilidade e a qualidade do solo e, consequentemente, a produtividade e o lucro’’, observa Costa. Ele acrescenta que a fertilidade do solo é diretamente proporcional à quantidade de matéria orgânica que o solo possui. (F.M.)

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