O poder curativo e econômico das plantas
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sexta-feira, 20 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O cultivo de plantas medicinais e aromáticas vem ganhando espaço entre as propriedades pela alta rentabilidade que a atividade apresenta. Os produtores estão se entusiasmando por um nicho de mercado que vem crescendo entre 5% a 10% no mundo, avaliado em US$ 19,5 bilhões por ano. O mercado vem se abrindo desde que os consumidores passaram a valorizar recursos e condimentos naturais isentos de agroquímicos na alimentação.
Cada vez mais a população esclarecida vem se rendendo ao uso de produtos oriundos de plantas medicinais, em substituição aos medicamentos sintéticos, justificou o engenheiro agrônomo da Emater Cirino Corrêa Júnior. No entanto, ele alerta que a atividade exige conhecimento e infra-estrutura.
O Paraná vem se destacando como o maior produtor do País, com produção de 90% das ervas medicinais cultivadas. A atividade já ocupa 2.700 hectares, com mais de mil produtores envolvidos. Desses, 350 hectares correspondem ao cultivo orgânico, com 150 produtores. No Brasil o cultivo de ervas medicinais e aromáticas já movimenta US$ 800 milhões, um mercado considerado lucrativo.
De acordo com Cirino, o cultivo sistemático ainda é pouco explorado em função da coleta predatória. Com isso, ervas importantes como a espinheira santa correm o risco de extinção. De acordo com o técnico, ainda a carqueja, marcela, chapéu de couro, cavalinha são coletadas na natureza, o que prejudica a manutenção dessas espécies nativas.
O cultivo das ervas concentra-se na Região Metropolitana de Curitiba (RMC); Guarapuava, onde cresce a produção orgânica e nas regiões Sudoeste e Norte do Estado. Na região Sudoeste destaca-se o cultivo de menta para extração do óleo e na região Norte, o cultivo de capim-limão. De acordo com o técnico da Emater, a maior parte das plantas cultivadas são consumidas pela indústria.
A Emater mantém no Parque Newton Freire Maia (antigo Castelo Branco), na RMC, mais de 150 espécies cultivadas onde são produzidas sementes e mudas. Cirino alerta os produtores interessados que o cultivo dessas plantas exige conhecimento, infra-estrutura e disponibilidade de mão-de-obra. Ele aconselha os produtores se unirem para aquisição de um secador e espaço para armazenagem, já que a venda das plantas secas e embaladas agrega mais valor.
Atualmente são mais de 300 empresas no País que compram essas ervas, mas elas priorizam a rastreabilidade apresentada pelo produtor. A Emater vem organizando esse trabalho no Paraná que ministra cursos para os interessados e desenvolve um trabalho de aproximação entre produtor e indústria. São ofertadas cerca de 50 vagas por ano, muito disputadas pelos agricultores, admitiu o técnico.
O levantamento econômico, feito pela Emater, revela que o cultivo de ervas medicinais é mais rentável na comparação com as lavouras de grande escala. No entanto, uma lavoura produtiva depende da aquisição de material de boa qualidade e bom estado fitossanitário, detalhes muitas vezes desprezados pelos produtores.
Outro detalhe que precisa ser seguido é a contratação de mão-de-obra necessária. A atividade gera, em média três trabalhadores fixos e cerca de 10 extras, no período de colheita e extração das folhas, que deve ser feita manualmente. A Emater alerta ainda para o excesso de intermediação que reduz o lucro do produtor. De acordo com Cirino, a intermediação localiza-se em São Paulo, onde os grandes atacadistas formam o elo entre o produtor e os grandes laboratórios.


