O ano de 2015 foi de muitos desafios para a economia brasileira, que amarga desde janeiro uma forte desaceleração. Para o agronegócio, no entanto, os efeitos da crise foram mais discretos quando comparados a outros setores como indústria, construção civil, serviços, entre outros. A forte valorização das commodities agrícolas e a alta cotação do dólar frente ao real ajudaram o segmento a elevar os ganhos, principalmente por meio da exportação.
O dólar neste ano chegou a ultrapassar a barreira dos R$ 4. O que é ruim para quem precisa comprar no exterior, foi bom para quem vendeu, como o que ocorreu no setor agropecuário. Apesar desse fôlego, o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab),Francisco Simioni, avalia que o ano foi acirrado para o setor.
Quando se olha para os últimos números do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é possível observar que uma retração começa a atingir o agronegócio. O PIB agropecuário apresentou queda de 2% no 3º trimestre de 2015 em relação ao 3º trimestre de 2014. Essa queda, segundo informações replicadas pelo Ministério da Agricultura, ocorreu por conta de menores produções em lavouras colhidas no terceiro trimestre, sobretudo café, cana-de-açúcar e trigo.
Isso prova que mesmo com os ganhos nas exportações agropecuárias, a retração da economia também chegou a prejudicar a evolução do agronegócio que poderia estar em um momento bem mais favorável do que o atual, destaca Simioni. No caso da soja, o chefe do Deral observa que os produtores ficaram muito atentos ao mercado em 2015 e que muitos deles venderam a maior parte da produção quando o dólar estava em plena ascensão.
A valorização das principais commodities também ajudou. O preço médio da saca de soja recebido pelo produtor paranaense, por exemplo, está estimado para 2015 em R$ 60,45/saca, contra R$ 59,03/sc em 2014. É uma leve alta, mas que foi ainda mais compensada pela valorização do dólar. O milho também deve fechar o ano em alta, com um preço médio estimado em R$ 21,14/sc, contra R$ 20,17/sc de média registrada em 2014.
Simioni comenta que o ano começou muito bem para a agricultura, que registrou boa produção. Na safra de verão 2014/15, somente o Paraná produziu 16,95 milhões de toneladas de soja, 16% a mais no comparativo com a safra anterior; 4,65 milhões de toneladas de milho; e 324,5 mil toneladas de feijão. Na segunda safra, o Estado produziu 3,43 milhões de toneladas de trigo e 11,41 milhões de toneladas de milho.
Na safra de inverno, a produção de milho foi 10% maior em relação ao ciclo anterior, quando foram produzidos 10,36 milhões de toneladas. Já o volume de trigo foi menor no comparativo com o ciclo 2013/14, quando foram retiradas dos campos paranaenses 3,83 milhões de toneladas do cereal. "Na safra 2014/15 tivemos uma boa safra de soja, milho e feijão, mas tivemos redução no trigo, com perda de qualidade devido ao excesso de chuvas durante o período da colheita."
Em termos de mercado, Simioni relembra ainda que em meados do ano a China, maior importador de grãos do Brasil, mostrou dificuldades econômicas para a aquisição de produtos brasileiro. Mas, segundo ele, foi por pouco tempo, já que a economia chinesa voltou a aquecer.

PARA 2016


Se por um lado o dólar impulsionou a remuneração das exportações brasileiras de produtos agropecuários, por outro a valorização da moeda norte-americana elevou os custos de produção para a safra 2015/16, já que muitos insumos são importados. Em soja, por exemplo, o custo variável de produção, que leva em conta os gastos dos produtores com máquinas e equipamentos, insumos, mão de obra e mais despesas foi contabilizado em novembro em R$ 33,39 por saca, ante R$ 28,07/sc no mesmo período do ano passado.
Simioni afirma que a safra 2015/16 está no campo e agora é só esperar o comportamento do clima. "Mas acredito que 2016 será um ano parecido com este", destaca o chefe do Deral. Para o atual ciclo, o Deral estima uma produção de 18,06 milhões de toneladas de soja, 3,79 milhões de toneladas de milho e 336,17 mil toneladas de feijão na primeira safra. "Se o clima contribuir, teremos uma boa safra", observa o chefe do Deral.

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