Produção sustentável, o atendimento a uma crescente demanda por alimentos e geração de energia renovável fazem parte das agendas de discussão em todo o mundo. Os temas foram discutidos num painel da 48 ExpoLondrina, realizada no início do mês, e reuniu Pierre Labeyrie, diretor do Centro Éden - Rhone Alpes, da França; Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja e Jorge Miguel Samek, diretor geral da Itaipu Binacional.
A posição privilegiada do Brasil nesta área foi unanimidade entre os expositores. O país tem área para expandir sua produção agrícola e clima favorável, além de inúmeras possibilidades para a produção de biocombustíveis. O pesquisador Décio Gazzoni, que abordou o tema ''Desafios da agricultura em um abiente de demanda por alimento e biocombustíveis e a capacidade de resposta a essas necessidades'', traçou um panorama sobre a atual demanda de energia.
''O mundo é viciado em energia fóssil - petróleo, óleo e carvão - e precisamos mudar isso rapidamente'', disse. O pesquisador lembrou que existe uma demanda crescente por energia desde a década de 70 e a projeção é dobrar essa demanda até 2050. Por isso a necessidade de buscar novas formas de geração de energia. ''A procura não se restringe aos biocombustíveis. O mundo está a procura de fontes de fácil produção, amplas e baratas'', descreveu.
De acordo com Gazzoni três fatores impulsionam a mudança da matriz energética mundial: o esgotamento das reservas fósseis, cuja produção deve se extinguir em 50 anos; problemas geopolíticos e as mudanças climáticas globais. As altas recentes dos preços internacionais de petróleo, segundo o pesquisador, precificam essa 'extinção'. Não raro, o preço do barril tem superado a casa dos US$ 100 na Bolsa de Nova York.
Gazzoni divide o avanço da bionergia em quatro fases nos próximos 30 anos, começando com o etanol e o biodiesel, passando pelo etanol celulósico e uma segunda e terceira gerações de biocombustíveis até chegar ao biohidrogênio e outras inovações tecnológicas. O uso das fontes obedece a mesma evolução, partindo da cana, cereais e óleos até chegar a biomassa altamente energética. ''Esse é o caminho para o futuro', garantiu o pesquisador.
''Ou avançamos tecnologicamente ou perdemos este desafio'', alertou Gazzoni. Segundo ele, o Brasil não pode perder a enorme oportunidade de se tornar o maior produtor agrícola mundial e atender a uma demanda crescente por alimentos e bioenergia. Para o produtor brasileiro, o desafio inclui superar a logística ruim e a tributação elevada e melhorar a produtividade e a tecnologia de produção e de controle da sanidade vegetal e animal.
A primazia brasileira na questão das energias renováveis foi reforçada pelo diretor geral da Itaipu binacional, Jorge Miguel Samek. Segundo ele, enquanto no mundo, 86,8% são energias de fontes não-renováveis, no país esse índice é de 55,6%. No caso específico da energia elétrica, são 75,9% gerados por hidrelétricas, 12,3% por termoelétricas e 3% de origem nuclear.
''Vamos crescer de forma sustentável e precisamos de muita energia. É um pré-requisito. O risco de apagão está descartado. São boatos e certamente há quem ganhe muito com isso', disse.
O diretor da binacional apresentou números da usina que responde por 95% do abastecimento da energia do Paraguai e 20% do Brasil, e que fechou 2007 com um faturamento de US$ 3,2 bilhões. ''Setenta e cinco por cento do faturamento são usados para pagar dívidas e juros. Vamos terminar de pagar Itaipu em 2022, com um pequeno residual até 2023'', explicou.
Samek também falou sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que prevê R$ 503,9 bilhões de investimentos até 2010 em obras de infra-estrutura. Mais de 50% desse valor - R$ 274,8 bilhões - vai para o setor de energia com a construção de unidades adicionais de Itaipu e investimentos em fontes alternativas através do Proinfa.
Alguns projetos também foram ressaltados. Entre eles o Cultivando Água Boa, que integra 108 ações desenvolvidas em municípios paraguaios e brasileiros e o carro elétrico, desenvolvido há três anos. ''O foco agora é desenvolver um carro elétrico utilitário''. comentou. Samek também falou do programa de geração de gás com dejetos de suínos, aves e bovinos de áreas que integram a bacia do Rio Paraná. O projeto envolve grandes e pequenos produtores e ainda, segundo o diretor da Itaipu, o excedente dessa energia que não é utilizada na propriedade está sendo comprado pela Copel.

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