Iniciante na produção de pêssegos, o município de Santo Antônio do Paraíso (62 km ao sul de Cornélio Procópio) enfrenta as dificuldades do cultivo de uma fruta que exige muito cuidado, mas pode se converter em uma boa alternativa de renda para os pequenos produtores. Típica de regiões mais frias a implantação desta cultura na região a partir de 1994 já enfrentou chuva de pedras, geada e este ano a ausência de frio.
A colheita começou em setembro e só termina em novembro, mas já estima-se uma perda entre 30% a 40% para alguns produtores. Segundo o técnico da Emater Denilson Rampaso, o clima muito quente prejudicou a safra não só na região. Holambra (interior de São Paulo) um dos maiores produtores, que também colhe nesta mesma época, perdeu entre 40% e 50% da safra.
O pêssego chegou em Santo Antônio do Paraíso através do produtor Jorge Taki. Em 1994 a Emater passou a incentivar os pequenos produtores da região como uma alternativa de renda. Rampaso explica que esta cultura oferece um retorno financeiro maior do que a soja e o trigo cultivados em pequenas áreas.
No início, a aventura do cultivo de pêssego em uma região quente atraiu apenas um pequeno grupo. Apesar das adversidades o grupo aumentou e hoje chega a 29 produtores e 88 hectares de área plantada. Para driblar o clima quente, a implantação da cultura de pêssego está sendo feita a partir de variedades como Aurora 1 e 2, Dourado 1 e 2, Douradão e Flor de Prince.
Estas cultivares exigem entre 200 a 250 horas de frio ao ano, enquanto as cultivares de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por exemplo, exigem 400 horas. A altitude também é importante, segundo Rampaso. ''Trabalhamos com altitude acima de 600 metros para a implantação da cultura'', afirma.
O cultivo é difícil exigindo uma condução diferenciada da de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em região quente o pêssego vegeta muito exigindo que o produtor trabalhe no pomar o ano inteiro. Para obter sucesso o produtor tem que estar atento ao raleio, arqueamento de galhos na fase inicial, poda, condução, controle de praga e doenças, manejo de mato.
Além das dificuldades naturais desta cultura, os produtores na região de Santo Antônio do Paraíso enfrentaram as adversidades climáticas nos primeiros anos. Logo na segunda safra, em 1998, uma chuva de pedras provocou muitas perdas; em 2000 a geada também afetou a produção.
Este ano é o calor que está castigando. O clima muito quente trouxe problemas na quebra de dormência. Segundo Rampaso, mesmo passando o produto químico para ''acordar'' a planta no período entre abril e junho, sem o frio, a resposta não foi a esperada.
Mesmo com todas as dificuldades a cultura avança e há perspecivas de aumentar a produção hoje em torno de 650 toneladas. A meta para daqui três anos é de a região produzir 1100 toneladas. ''Acreditamos que os produtores podem chegar a 14 mil quilos por hectare. Alguns já alcançaram 12 mil quilos'', afirma.
Hoje a região está colhendo os frutos dos pés plantados em 1994, 1996 e 1998. No próximo ano os pessegueiros cultivados em 2000 já estarão produzindo e em 2004 estarão produzindo os pés plantados este ano. A primeira colheita acontece a partir do segundo ano do plantio e após o quinto ano atinge seu potencial (no caso do Aurora, Dourado e Douradão 30 quilos por pé, Flor de Prince 15/20 quilos).
A produção é vendida no Ceasa de Londrina que distribui para todo o Paraná. ''Alguns produtores vendem em Maringá e Foz do Iguaçu'', afirma o técnico. Segundo ele não é possível falar em média de preços, porque depende muito da qualidade do fruto obtido por cada produtor.
''Há alguns produtores excelentes, cuidadosos, que usam tecnologia, mas outros ainda enfrentam dificuldades'', diz. ''Enquanto tem produtor que consegue R$ 1,00 por quilo, tem outros que conseguem R$ 0,65''.
Rampaso aponta outra grande dificuldade enfrentada hoje na produção de pêssego em Santo Antônio do Paraíso: a desorganização dos produtores. ''Eles trabalham individualmente, se se unirem conseguem mercado e preços melhores'', afirma.

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