Problemas com qualidade do leite, contaminação e adulteração sempre são relatados na mídia ou pelos órgãos de fiscalização e organização de produtores. Dados da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Leite Brasil) apontam que dos 26 bilhões de litros produzidos no Brasil, 9 bilhões, ou 34%, não obedecem os critérios da Instrução Normativa 51, não passam por fiscalização e não são tributados. É o produto vendido diretamente ao consumidor, geralmente em cidades pequenas.
A qualidade desse leite foi tema de pesquisa do trabalho de conclusão de curso de Maria Beatriz Odebrecht Carvalho Mendonça em medicina veterinária na Unopar. Ela analisou amostras do leite distribuído em carroças nos municípios de Santa Fé, Arapongas, Marilândia do Sul e no distrito da Warta, em Londrina. Nas 20 amostras coletadas e analisadas no laboratório da universidade foram encontrados resíduos de sangue, urina, fezes, pêlo, bicarbonato de sódio e água oxigenada. Segundo a estudante, água havia sido adicionada em todas as amostras. A pesquisa foi realizada durante três meses e teve a orientação dos professores Elza Santana e Werner Okano.
''Os problemas detectados são resultado na falta de higiene na ordenha e na conservação do produto. A água é adicionada para aumentar o volume do leite'', afirma Maria Beatriz. Segundo a estudante, falta orientação aos produtores e aos consumidores, geralmente de baixa renda, ''que não têm noção do que estão comprando''. Ela defende que a venda de leite cru seja rigorosamente proibida. (R.C.)

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