Frutas e verduras de ''encher os olhos'' nas gôndolas dos supermercados não dependem apenas de saber plantar e colher. Falta de classificação, padronização e embalagem inadequada são apontados por técnicos de assessorias oficial e privada como os principais fatores que interferem na comercialização dos hortifrutis do Paraná.
A venda isolada dos produtos, contando apenas com intermediários, reduz ainda mais a remuneração para o produtor. O reflexo é que uma caixa de tomates ou de uva, por exemplo, sai do Norte do Paraná, vai para São Paulo e acaba retornando para o seu ponto de partida. O produtor não ganha com isso e, o consumidor, acaba pagando mais caro pelo produto.
A organização dos produtores, para vender sua produção mais próximo do local de origem, significa uma remuneração mais justa para o setor, já que ficam reduzidos custos de frete e armazenamento, entre outros.
Com o associativismo o chamado ''passeio'' de frutas e verduras, seria reduzido. Com isso, ganham produtores e consumidores.
Para o produtor João Neto do Prado Souza, ex-presidente da Associação Norte do Paraná de Produtores de Hortaliças (Apronor), não é o aumento de pontos de comercialização como as Centrais de Abastecimento (Ceasa) que vai resolver o problema.
Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, a Ceasa do Paraná está realizando um estudo de viabilidade sócio econômica para a implantação de centrais em outras regiões do Estado. Pessuti disse que há pedidos de várias cidades, como Ivaiporã, Borrazópolis, Laranjeiras do Sul, Guarapuava, Santo Antônio da Platina e Joaquim Távora.
O custo de manutenção de um local como esse, para João Neto, pode até inviabilizar ações de apoio à produção. Por isso, baseado na experiência da Apronor, ele destaca que o caminho está na organização dos produtores. ''Juntos eles podem melhorar a produção, reduzir o custo e ainda trazer os produtos para venda nos pólos já existentes, com melhores condições de lucratividade''.
João Neto diz ainda, que não há como acabar com o ''passeio'' dos hortifruti. Isso porque ''as culturas são nômades e dependem do clima''.
O ''passeio'', na opinião do coordenador executivo do programa Hortiqualidade-Paraná, Luiz Antônio Fayet, é promovido pela ausência de um sistema de classificação. Assim, as vendas ocorrem por comercialização visual: ''o comprador quer ver o produto que está levando''.
Fayet explica que o Hortiqualidade foi criado em 1999, através de uma parceria entre a Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab), Sebrae e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), com o objetivo de criar códigos de classificação que permitam a comercialização eletrônica. ''O sistema não irá dizer o que é bom ou ruim, mas identificará o produto de acordo com suas características, como doçura, variedade, tamanho'', diz.
As falhas na logística de comercialização e transporte geram perdas de até 30% da porteira para fora. Mesmo colhendo produtos de qualidade, o setor começa a perder na hora do transporte com o manuseio inadequado dos hortifrutis. Outras despesas como o frete, armazenamento e intermediários significam mais custos. ''Não é só o produtor quem fica no prejuízo. O consumidor participa dessas perdas, pagando mais caro'', ilustra. Para compensar as frutas descartadas o preço pago pelo produto considerado de qualidade é maior.
Fayet destaca que, com os hortifrutis, é preciso se considerar também que são produtos perecíveis. Por isso, o sistema de classificação permitiria ainda a venda antecipada do produto, como ocorre eficientemente no mercado de grãos. ''Ao evitar o 'passeio' de frutas, verduras e legumes e a consequente redução das perdas, estaremos agregando vantagens para todos os elos da cadeia, que passarão a trabalhar com bens valiosos e não com lixo'', frisa.

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