O Paraná na vanguarda da biotecnologia
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sábado, 18 de janeiro de 2003
Oswaldo Petrin<br> Reportagem Local 
O aumento da competência em biotecnologia no Estado do Paraná e a concentração, em Londrina, de instituições e empresas privadas que vêm desenvolvendo pesquisas para aplicação a curto e médio prazos na agricultura, sugerem a organização de um centro de excelência em biotecnologia. Já existe, por exemplo, uma boa capacidade instalada em biologia molecular e genoma, uma área avançada da biotecnologia.
O cientista Luiz Gonzaga Esteves Vieira, coordenador do laboratório de biotecnologia do Iapar, relaciona os projetos que vêm sendo executados nessas instituições e propõe um projeto em conjunto, semelhante ao que fez a França, que reuniu as capacidades científicas de diferentes instituições de pesquisa, como o CIRAD, o IRD e a Universidade de Montpellier, entre outras. Lá foi instituído o centro virtual de pesquisa agrícola denominado Agrópolis, para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas entre as instituições participantes.
A criação da ''Cidade Científica'', ou projeto semelhante, teria por finalidade racionalizar recursos empregados para o desenvolvimento social e econômico do setor agrícola, mobilizando competências e aumentando a sinergia entre as organizações participantes.
Segundo Luiz Gonzaga, a autonomia de cada instituição seria preservada nessa associação de esforços, mas a atuação coordenada dessas instituições aumentaria a capacidade de captação de recursos e promoveria o melhor aproveitamento na aplicação desses recursos em projetos científicos e serviços de grande interesse para o desenvolvimento regional.
O primeiro passo seria evitar duplicidade de objetivos e metas. Na opinião do pesquisador, grande parte dos recursos para pesquisa no Brasil é feita de maneira pontual para grupos de pesquisa isolados. Esta forma não contribui para a interação de esforços entre grupos com capacitações complementares. ''Além do aumento de recursos, há necessidade de estabelecer claramente os objetivos a serem alcançados'' diz o pesquisador.
Por enquanto, podem fazer parcerias, o Iapar, que já tem uma boa capacidade em prospecção de genes e obtenção de plantas transgênicas; a Embrapa, que tem grupos trabalhando com estresse hídrico, resistência a pragas, doenças e fixação de nitrogênio; a UEL, que trabalha com diversos microorganismos de interesse agronômico, e o laboratório da Milênia Biotecnologia, que faz inúmeros projetos para desenvolver tecnologia de ponta.
A criação desse centro virtual poderia servir para buscar mais recursos para pesquisas, além de atrair empresas de alta tecnologia para a região. Com a mobilização e organização destas organizações, Londrina poderia se tornar um centro de excelência em biotecnologia voltada à agricultura, similarmente ao que ocorreu em várias regiões dos Estados Unidos e Europa que se tornaram referências por abrigarem grande número de empresas de alta tecnologia. Se existe algo semelhante é em Campinas, mas não está voltada prioritariamente para a agricultura, como o que se pretende em Londrina.
Projeto Genopar Outro pesquisador do Iapar, Luiz Filipe Protásio Pereira, Ph.D, em biologia molecular, cita o Projeto Genopar como exemplo. Os técnicos de dez instituições envolvidos no projeto vêm trabalhando em rede em todo o Estado do Paraná, sob coordenação do Dr. Fábio Pedrosa da Universidade Federal do Paraná, com o objetivo de sequenciar o genoma da bactéria fixadora de nitrogênio Hesbapirillum seropedicae. Este projeto serve para demonstrar a importância dos trabalhos em rede, não só em sequenciamento de genoma, mas em diferentes tipos de projetos. O projeto Genopar é financiado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná e CNPq.
Os pesquisadores ressaltam a importância do investimento em recursos humanos nesta área. Diferentemente da ciência da computação, em biotecnologia você não pode aplicar a estratégia de engenharia reversa. Não é possível desmanchar uma planta para ver como ela foi feita, embora seja possível desmontar um computador ou um carro para entender o seu funcionamento. Para a criação de novos produtos e processos, é necessário contar com pesquisadores altamente treinados. Por isso, a manutenção de equipes motivadas e trabalhando em conjunto para a resolução de problemas importantes na agricultura é essencial.


