O Paraná está para peixe
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O aquecimento do mercado está estimulando os piscicultores paranaenses a quererem de volta o título de maior produtor nacional de peixe em cativeiro. O Estado nada hoje em um mar de oportunidades e a expectativa é de fisgar chances melhores ainda a curto e médio prazos. Mas nem tudo é euforia, alertam os especialistas, pois há desafios a vencer principalmente em relação ao licenciamento ambiental dos empreendimentos: apenas 5% têm licença para explorar a atividade legalmente.
O coordenador do Centro de Piscicultura do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Toledo, Taciano Maranhão, aponta que dos quase 23 mil piscicultores paranaenses apenas 1,1 mil estariam licenciados. ''Destes, 80% são responsáveis por quase toda a produção de peixe do Paraná, que hoje está em torno de 18 mil toneladas/ano'', calcula. Ele observa que em relação aos que ainda não conseguiram o licenciamento o clima é de apreensão principalmente com a finalização do novo Código Florestal brasileiro, que deve entrar em vigor até o final do ano.
Questões envolvendo os 20% de área para reserva legal e as áreas de preservação permanente preocupam muitos empreendedores que temem sanções dos órgãos ambientais. Com relação à polêmica que havia em relação ao uso de tanques redes para produção de tilápias nas principais bacias do Norte do Estado, Maranhão garante que são águas passadas: ''já foi tudo legalizado e é só uma questão mesmo de investimento''.
Maranhão avalia que o Paraná tem competitividade para apostar no setor porque praticamente toda a cadeia envolvida está estruturada. ''São poucos os Estados que possuem uma cadeia organizada de forma tão completa como a nossa, preparada e em condições de assimilar o crescimento da produção e do consumo'', opina. Estimativas já consolidadas garantem que se for implementada no Estado a outorga concedida pela União para utilização de até 1% dos lagos das seis hidrelétricas do norte paranaense, a produção de peixe poderia chegar a 500 mil toneladas por ano. Este montante seria suficiente para recolocar o Paraná na liderança na produção de peixe em cativeiro do Brasil, à frente de São Paulo.
O engenheiro de pesca da Emater em Cambé, Luiz Eduardo Guimarães de Sá Barreto, complementa que a atividade hoje vive um momento de amadurecimento. ''O piscicultor - aquele que tem o peixe como principal fonte de renda - está se especializando, tem objetivos e compreensão da atividade'', analisa. No entanto, ele pondera que são poucos os criadores nessa situação e isso ainda impede que a piscicultura deslanche de uma vez. Ele lembra que os fracassos do passado também amedrontam muitos empreendedores que tiveram prejuízos e são receosos em retomar a aposta. Pior ainda quando se sabe que a piscicultura ainda não conta com seguro, o que também afugenta investimentos. Mesmo assim, ele diz que o Brasil tem condições de ser um dos maiores produtores mundiais de pescados - ''temos 13% de toda a água doce do planeta e mais 8 mil quilômetros de costa''.
Agora, Barreto especula que há também vontade política para fomentar o setor. Fato comprovado pela criação recente do Ministério da Pesca e Aquicultura, pela implantação de legislações ambientais que buscam aparar arestas para fomentar o setor e ainda com a elaboração do censo aquícola no país, uma iniciativa inédita que teve início há poucos dias. Situação que reflete o movimento ascendente da produção de peixes em cativeiro, assegura o diretor de Aquicultura da Sociedade Rural do Paraná e diretor de uma das maiores produtoras de alevinos do País, Ricardo Neukirchner ''O crescimento vai acontecer com ou sem ajuda dos governos porque não existe outra alternativa. Há 15 anos, a captura de peixes está estabilizada mesmo com toda a tecnologia empregada para encontrar os cardumes, o tamanho dos peixes está diminuindo e o mercado consumidor está crescendo. O único meio de conseguir manter este mercado é o incremento da aquicultura'', afirma.
Ele cita que o Brasil tem cacife para ser o maior produtor mundial: tem a ração mais barata do mundo, o clima é favorável, possui água e mão de obra em abundância. ''O que falta é mais capacitação de quem trabalha na atividade e neste sentido o Paraná está em vantagem porque tem profissionais qualificados'', argumenta, revelando que a Sociedade Rural do Paraná irá contar em breve com um centro tecnológico de treinamento em aquicultura. O investimento federal de R$ 500 mil, segundo ele, já estaria garantido.


