Controlar a infestação de insetos na lavoura pode parecer uma tarefa difícil. Porém, com apoio técnico e monitoramento constante, desde o início de safra, o produtor consegue evitar prejuízos futuros. Atualmente, no caso da soja, as lagartas, a vespinha e o percevejo marrom são os parasitas mais encontrados na cultura. Uma infestação de vespinha, por exemplo, pode comprometer até 15% da lavoura.
Mesmo com esses índices, as lagartas da soja, a lagarta falsa medideira e o percevejo ainda são as principais pragas da cultura. O entomologista Daniel Ricardo Sosa Gomez da Embrapa Soja afirma que desses insetos, a falsa medideira é o que tem o controle mais difícil. ''Essa lagarta, além de afetar as folhas, prejudica a planta em sua fase reprodutiva''. O pesquisador completa que por ser tão forte, a espécie exige uma dose maior na aplicação de inseticidas.
Gomez explica que antes que o grau de infestação chegue a um nível incontrolável, ações simples como o monitoramento constante da lavoura pode ser a solução. Com isso, acrescenta o pesquisador, o produtor também irá economizar em defensivos. Um erro muito comum é o uso em demasia de agroquímicos. ''Muitos produtores, com medo de infestações, exageram na dose para 'evitar' o aparecimento de pragas. Essa atitude traz riscos tanto para a lavoura quanto ao meio ambiente'', aponta.
Gomez acrescenta que a aplicação de inseticidas deve ser específica para cada tipo de praga. ''Se ao registrar o aparecimento de determinado inseto, o produtor não aplicar o defensivo adequado, naturalmente ele pode fomentar a proliferação de outras pragas'', avalia. Por esse motivo é recomendado o constante monitoramento da lavoura, ação que deve ser sempre acompanhada por um agrônomo.
Osvair Reami, produtor na região de Maringá, comemora que há muito tempo não registra uma infestação em sua lavoura. O motivo, avalia ele, é o constante monitoramento que realiza desde o plantio até a colheita. ''Pelo menos uma vez por semana meu filho e eu percorremos toda a área plantada de moto para verificarmos se há à presença de pragas''. Com essa atitude, o produtor consegue um bom status sanitário.
O entomologista da Embrapa enfatiza que para realizar o monitoramento, é necessário um conhecimento técnico sobre o assunto. ''O aparecimento de uma ou outra lagarta e até mesmo alguns percevejos nem sempre é sinal de infestação''. É nesse momento, avalia Gomez, que ocorre muitos erros de interpretação, pois o produtor acha que a lavoura está sendo atacada e acaba aplicando de forma precoce os inseticidas.
Dicas
Para a realização de um monitoramento adequado, Gomez orienta os produtores a bateram as folhas da planta em direção a um pano branco, técnica denominada de bate pano. ''No caso das lagartas, por exemplo, é considerada uma lavoura com alto índice de infestação quando for contabilizado mais de 20 animais por metro linear ou 30% de desfolha na fase vegetativa''. Acima desse número recomenda-se a aplicação de inseticida.
Cada lagarta, alerta o entomologista, consome 100 centímetros quadrados de área foliar durante todo o seu ciclo, que gira em torno de 12 dias. Já o percevejo marrom, pode ser considerado uma infestação se for encontrado mais de dois insetos por metro linear na batida de pano. Entretanto, Gomez salienta que antes de iniciar qualquer combate a essas pragas por meio de aplicação de defensivos, é necessário a consulta de um especialista do setor.

Imagem ilustrativa da imagem O olho do dono é que protege a lavoura
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