A Aliança Mercadológica de Guarapuava está ampliando sua participação no mercado de carne bovina na própria região, nas praças de Ponta Grossa e Curitiba, e se prepara para entrar em Londrina e Maringá. A carne de novilho precoce é nobre e conta com rastreabilidade completa, segundo compromisso entre os segmentos envolvidos: produtores e distribuidores do varejo.
Tudo começou com o esforço dos produtores que queriam fugir da inadimplência do setor industrial e, ao mesmo tempo, buscar uma remuneração justa pela qualidade. Outro fator foi o rendimento de carcaça na hora da venda. Com o sistema implantado pela Aliança o rendimento aumentou.
''Somos vendedores de carne e não de boi. Vendemos diretamente para os consumidores no varejo e podemos interagir com eles, com retorno imediato para avaliação dos nossos produtos. Isto é muito bom''.
O comentário é de Edio Sander, produtor e consultor empresarial da Aliança Mercadológica.
A idéia surgiu da necessidade de os fazendeiros fugirem da inadimplência do setor industrial. Mas não é só. Também buscou-se melhorar o rendimento de carcaça. Hoje o rendimento de carcaça dos lotes da Aliança estão entre 56% e 57% nos machos e 53% nas fêmeas.
A Aliança Mercadológica de Guarapuava não negocia com frigoríficos, apenas contrata o abate. O frigorífico é um prestador de serviços. Com isso, evita-se o faturamento (ônus tributário) e custo de uma estrutura administrativa intermediária.
O produtor, entre outras vantagens, recebe uma bonificação de 3% a 8% no novilho precoce e 6% a 11% no superprecoce (entre 15 e 17 meses, 18 arrobas). Nas fêmeas a bonificação varia entre 0,5% e 3%, ou seja o preço do boi comum mais 3%.
O planejamento facilita a todos. Cada parceiro recebe uma programação anual entregue com seis meses de antecedência. Além das informações da rastreabilidade, procedência, tipo de animal, etc, ele recebe informações adicionais como a diferença entre um animal precoce e um super-precoce, vantagens nutricionais da carne, etc.
Na opinião de Edio Sander, além dos fatores econômico, técnico e sanitário, a Aliança Mercadológica consegue embutir um componente mais relacionado com a cidadania das pessoas da região. Antes vendíamos o nosso gado, de boa qualidade, e na hora de comprar carne no varejo encontravamos uma carne desconhecida. Hoje o consumidor adquire um produto produzido aí mesmo, no seu município, talvez pelo seu vizinho ou parente. Posso chegar ao supermercado e pedir um quilo de carne do meu próprio gado - brinca - pois está tudo discriminado na embalagem sobre a procedência de quem é aquele animal, proprietário, etc. Isto mexe com o orgulho das pessoas da região, segundo ele.
''Outro ponto é que tiramos o boi de Guarapuava da vala comum'', afirma Sander. Se produzidos uma boa mercadoria temos que receber por esse trabalho e o produtor que participa da Aliança Mercadológica está recebendo pela qualidade obtida através de investimento, profissionalismo e dedicação. Ele se sente reconhecido.

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