OPINIÃO
O negócio do Milênio
Sérgio Henrique SchmittAs pessoas inteligentes deste País sabem que a sociedade brasileira enfrenta, na chegada dos 500 anos do Descobrimento, o drama do cáos social. Mais da metade da população nacional vive abaixo da linha da miséria. A concentração populacional nos centros urbanos é base da criminalidade. A má-distribuição de renda mantém o secular enriquecimento de poucos e limita a chegada do alimento à boca da maioria. Economia dolarizada, mercados competitivos globalizados e dedos dos banqueiros internacionais aumentam a já elevada taxa interna de desemprego. Barreiras internacionais nas exportações, capital argentino dando susto, conflitos dos que têm tudo com os sem-nada, governos estaduais e municipais anteriormente perdulários e agora sem caixa, Legislativo e Judiciário rezando diariamente a máxima franciscana do é dando que se recebe.
Enfim, esses e demais fatores apontam rumos sem saída para o Brasil. Só o campo pode sorrir, porque para ele existe luz no fim do túnel. É o turismo rural.
O princípio básico desta afirmativa está na mudança do paradigma de organização social que já se evidencia na Europa, com o ser humano sendo o centro das orientações de desenvolvimento integral em substituição à cartilha capitalista norte-americana, onde a própria realização do indivíduo é apenas mais uma mercadoria, disponível somente ao consumidor com poder aquisitivo.
Fundamental entender o conceito de turismo rural. Ele é uma ferramenta de desenvolvimento nacional utilizada para gerar múltiplas oportunidades sociais e econômicas. É realizado no Litoral e no Interior, onde a população de pequenos e médios povoados organiza e executa ações empreendedoras destinadas ao povo em geral, baseadas na conduta ética e nas normas de preservação ambiental e cultural. De forma mais simples, turismo rural é a oferta de atrativos do campo aos moradores das cidades.
Nesse tipo de turismo, as pessoas se realizam espiritual e materialmente, porque é do ambiente urbano emissor que sai gente ávida em vivenciar a paz da natureza e partilhar da abundância alimentar, oferecidas pelos construtores do ambiente rural receptor. Ambos se completam na melhoria da qualidade de vida e promovem o desenvolvimento social e, ainda, contribuem na oxigenação da economia pela consequente ampliação das oportunidades de ocupação da mão-de-obra e de renda. Há no turismo rural espaço de realização para todos.
Hoje existem mais de 300 mil unidades turísticas rurais na Europa. Na Espanha são 4 mil, na Alemanha umas 25 mil, na França mais de 70 mil e na Inglaterra superam 80 mil. E a perspectiva é aumentar, graças a iniciativas da Comunidade União Européia, através dos programas de investimentos leader e leader II e das políticas públicas de incentivos e financiamentos dos respectivos governos.
O Brasil que sempre foi e continua sendo rural, mesmo contrariando as políticas governamentais e os interesses do capital internacional, está em situação mais favorável em relação aos europeus. Tem um povo que é a síntese étnica e cultural de todas as raças, a maior diversidade ambiental do Planeta e incontáveis atrativos naturais, prontos para serem disponibilizados aos visitantes internos e do Mundo, e tornar o turismo rural o negócio brasileiro do novo milênio.
O momento da decisão é já, e o primeiro e derradeiro passo é o rompimento da mentalidade imediatista e do comportamento pessoal de levar vantagem em tudo. Cada um tem que assumir a auto-estima de cidadão, programar a vida a longo prazo, cumprir os direitos e deveres comunitários e tratar com profissionalismo qualquer atividade produtiva. Ter ética nas relações sociais, preservar ambientalmente o contexto em que vive e lutar contra tudo e todos, para garantir e promover a básica e necessária qualidade de vida.
Aos governantes e políticos, que deveriam ser a verdadeira vontade popular em organizar com decência o Brasil, cabe a formulação e implementação de políticas públicas fundamentais na formação do novo cidadão brasileiro. Aos juizes o julgamento rápido de todos os crimes constitucionais, impondo que a Lei é verdadeiramente para todos. Aos agentes financeiros, a real função capitalista de viabilizar a pessoa humana, tornando-a fonte de trabalho, de renda e de consumo. E assim por diante, distribuindo o quinhão de cada tarefa aos demais segmentos da sociedade.
O autor é jornalista em Londrina e presta assessoria técnica nas áreas de Comunicação, Marketing e Turismo Rural.

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