A produção de carne a pasto procura, urgentemente, técnicas econômicas viáveis para a escassez de alimentos que acontece no inverno, período que falta comida para os animais criados a pasto. O Brasil avançou na genética das raças zebuínas, predominantes para a produção de carne. Pecuaristas estão melhorando o manejo dos animais e surgiram nos últimos tempos novos sistemas de produção, dispostos a garantir a produtividade para a pecuária.
''O desafio é encontrar sistemas que possam alterar o mínimo o custo de produção,'' afirma o superintendente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Antônio Josakian.
De acordo com o técnico, sistemas como pastejo rotacionado, manejão, entre outros estão sendo testados. Ainda assim, quando chega o período seco, época em que as pastagens não produzem massa verde, tem muito animal que perde peso pela falta de alimento suficiente. ''É a partir de setembro que o gado se recente da falta de comida.''
Não só os animais adultos sofrem com a falta de quantidade de pasto suficiente no inverno. Os animais jovens desmamados chegam a perder 50% do peso durante a seca e é preciso esperar, depois, mais seis meses, para a recuperação, fora o estresse que isso causa aos animais.
O uso de suplementação alimentar (outra fonte de comida ou rações), dependendo do sistema de produção, fica antieconômico e o desafio é fugir do chamado boi sanfona, que engorda nas águas, emagrece na seca e tenta se recuperar novamente no verão.
O pecuarista, de acordo com o técnico, pode tomar atitudes como reservar áreas de pasto para o inverno, fornecer sal mineral, antecipar estação de monta, entre outras, para minimizar a falta de pastagem na seca e garantir, pelo menos a manutenção de peso dos animais.
No chamado tripé da pecuária de corte (manejo, genética e alimentação) o essencial agora é encontrar alternativas que possam equilibrar o fornecimento de alimentos para os animais, avisa Josakiam.
Segundo ele, pela falta de comida para os animais o que poderia se fazer em um ano e meio a pasto, ou seja, ter um animal pronto, em peso de abate neste período, hoje é feito em três anos ou mais.
Alternativas alimentares para a seca estão entre os temas de destaque do 5º Congresso Brasileiro das Raças Zebuínas, previsto para outubro, em Uberaba (MG). O evento é promoção da ABCZ, com abordagem também para mitos e realidade da carne bovina. O objetivo, além de discutir tecnologias de produção, é falar da carne bovina como alimento ''indispensável'' na dieta da população.
Segundo o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antônio Josakian, a carne bovina é um alimento indispensável para a humanidade, tem valor nutricional elevado, e precisa fazer parte da nutrição das crianças, jovens, adultos e idosos. Mas será que essa mensagem chega corretamente ao consumidor?
Por isso está programado um painel específico para discutir a carne como alimento, que contará com a participação de especialistas em nutrição e saúde.
O congresso terá uma conferência especial com o médico cardiologista Adib Jatene, ex-ministro da Saúde, com o tema ''Carne Bovina - Um Alimento Indispensável para a Humanidade''. As novas exigências do consumidor, que quer ter à mesa produtos confiáveis, seguros e de qualidade também serão discutidas no Congresso. O evento tem apoio da Faculdade de Zootecnia de Uberaba (Fazu) e será realizado no centro de eventos da ABCZ, entre os dias 20 e 23 de outubro.
Serviço: Informações adicionais sobre o 5º Congresso Brasileiro de Raças Zebuínas podem ser obtidas pelo telefone (34) 3319-3900 ou no site: www.abcz.org.br.

mockup