O Moderfrota e a modernização da agricultura brasileira
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sexta-feira, 31 de agosto de 2001
Valentino Rizzioli 
Hoje, na agricultura brasileira, estão em operação cerca de 65 mil colheitadeiras e 600 mil tratores. Desse total, um quarto tem entre 15 e 30 anos de uso. A idade elevada da frota - uma das mais velhas do mundo - causa, entre outros problemas, uma grande defasagem tecnológica em relação às novas exigências da produção agrícola. Além disso cada trator ara 103,9 hectares no Brasil, cerca de três vezes mais que nos Estados Unidos e quase nove vezes mais que no Reino Unido.
O resultado disso tudo é que o produtor brasileiro acaba perdendo a competitividade. Primeiro, porque na média os concorrentes internacionais têm um número maior de máquinas para fazer o mesmo serviço. Segundo, porque as máquinas antigas, além de demandarem tempo e dinheiro com manutenção constante, provocam perda de parte da safra. Traduzindo em números, a cada colheita o País perde 10% de toda a produção - cerca de 9 milhões de toneladas.
Esse é um quadro muito desfavorável ao Brasil, principalmente com a globalização da economia. Diante das barreiras impostas por vários países à entrada de produtos brasileiros, a melhora da competitividade agrícola torna-se uma questão de sobrevivência. Se a tendência mundial de ampliação dos grandes blocos econômicos for mantida, como a formação da Alca, as mudanças na nossa agricultura passam a ser fundamentais. A redução de custos, o aumento da produtividade e a atualização tecnológica são essenciais para o agribusiness brasileiro enfrentar os novos desafios da economia globalizada
Devido a esses fatores é que devemos saudar o anúncio do Plano Safra 2001/2002 feito pelo governo federal. Com recursos que podem superar R$ 16 bilhões para o setor agrícola, o plano prevê cerca de R$ 1,4 bilhão para a manutenção do Moderfrota, o programa do BNDES (Branco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que financia máquinas e implementos agrícolas com até sete anos a taxas que variam de 8,75% (para produtores com renda anual de até R$ 200 mil, e 11,75% para produtores com renda anual superior.
É claro que não podemos considerar o Moderfrota o salvador da pátria. Porém, ele é uma importante ferramenta que o produtor tem para dotar sua propriedade com bens de capital e se preparar para competir de igual para igual no comércio internacional.
O Moderfrota também tem sido fundamental para a indústria, como pode se ver pelos números. Os fabricantes de tratores e colheitadeiras venderam para o mercado interno 28.371 máquinas em 2000, número 28% superior a 1999. Para 2001, a previsão é de um crescimento de até 15%. Se confirmado, será um acréscimo de quase 50% em relação ao mercado de 99, um dos maiores de todo setor industrial brasileiro nos últimos anos.
Esse crescimento não se reflete apenas na indústria, que produz, investe e emprega mais, mas também em toda agricultura. A mecanização do setor tem sido uma das principais responsáveis pelo aumento da produção e da produtividade no setor. Há cinco anos, enquanto a venda de tratores era inferior a 12 mil unidades/ano, o Brasil colhia pouco mais de 73 milhões de toneladas de grãos. Na safra 2000/2001, quando as estimativas apontam para uma safra que pode chegar a 95 ou 97 milhões de toneladas, a venda de máquinas superou as 28 mil unidades.
É claro que o aumento da produção não se deve apenas à mecanização, uma vez que houve um inquestionável salto qualitativo nos insumos, nas sementes, nos tratos culturais e até na administração das propriedades. Mas é inegável que a renovação do parque de máquinas foi decisiva para a arrancada que o campo está dando rumo a tão esperada produção das 100 milhões de toneladas.
O autor é vice-presidente para a América Latina da CNH, holding do Grupo Fiat que fabrica máquinas agrícolas das marcas New Holland e Case IH


