O milagre da multiplicação de cores
Os hibiscos, que existem na natureza em quatro cores básicas (branco, amarelo, rosa e vermelho), podem ser multiplicados em três mil cores e formatos diferentes. A proeza está sendo realizada por três pesquisadores de Londrina, os agrônomos Vânia Castiglione e Agnelo de Souza, e o psicólogo Luiz Henrique Moscogliato. No Brasil, esse tipo de pesquisa com hibiscos só existe em Londrina, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Os estudos com a planta foram iniciados nos Estados Unidos pela Sociedade Americana de Hibiscos.
A pesquisa em Londrina começou em janeiro de 99, quando Moscogliato, que já era um estudioso de hibiscos, conheceu Vânia e Souza. O psicólogo já vinha fazendo experiências com a planta, mas a falta de espaço do seu apartamento limitava o trabalho. As mudas de hibisco de Moscogliato foram levadas para a casa de Vânia, onde os pesquisadores passaram a desenvolver os estudos. O que começou como um hobby, passou a ser encarado pelos três amigos com o rigor que uma pesquisa exige.
InícioVânia, que trabalha na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), adquiriu, junto com os amigos, as primeiras estacas de hibiscos híbridos no Rio de Janeiro, no início de 99. O contato com o grupo carioca acabou aí. Fomos aprendendo com nossos próprios erros, comentou Vânia. Hoje, o grupo londrinense já consegue cerca de 70% de sucesso com os enxertos.
Todo o trabalho é realizado em um terreno ao lado da residência de Vânia, no final da tarde e durante os finais de semana. As mudas são produzidas a partir do porta-enxerto (cavalo). Usamos caule de hibiscos comuns, por serem mais resistentes, explicou Vânia. Depois de fazer um pequeno corte no caule, amarramos o cavaleiro (enxerto), continuou. Uma pasta de cera de abelhas é espalhada no caule, que é plantado em um saco plástico. Outro saco é amarrado sobre o local do enxerto, para reter a umidade.
Após 15 dias a muda começa a brotar. Segundo Vânia, as plantas são resistentes às pragas. Eventualmente, algum tipo de pulgão pode atacar, mas isso é raro, garantiu. As pragas são combatidas com uma solução à base de água, detergente e álcool.
Três meses depois da enxertia, com cerca de 60 centímetros de altura, a muda já pode ir para o vaso. O agrônomo Souza, que faz mestrado em genética e melhoramentos na Universidade Estadual de Londrina (UEL), explicou que o grupo já conseguiu produzir 110 tipos de hibiscos híbridos, cada um com tonalidades, tamanhos e formatos diferentes. Por enquanto, as plantas ainda não são vendidas comercialmente.
PolinizaçãoEntusiasmados com o sucesso, o grupo já está trabalhando com polinização. Mais meticuloso e demorado, o processo de polinizar os hibiscos exige mais observações e estudos. Basicamente, o método consiste em carregar o pólen de uma flor híbrida até outra planta, disse Souza. Formada a cápsula com a semente, é só plantar e aguardar a floração. Todo o processo leva mais de 10 meses. A surpresa ante as novas flores recompensa o tempo e o trabalho, garante o psicólogo Moscogliato, com quem tudo começou.
Amanhã, das 8h às 20h, o grupo vai expor pela primeira vez os hibiscos na Casa da Amizade, na Avenida Harry Prochet, 1025. As encomendas podem ser feitas no local. Mudas de 60 centímetros vão ser vendidas por R$12,00. Hibiscos já formados e floridos, em vaso apropriado custarão cerca de R$ 50,00.





