O mercado está para peixe
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
Os benefícios da carne de peixe para a saúde humana já são bem conhecidos. Porém, poucos sabem sobre as vantagens econômicas que a atividade aquícola pode oferecer para o agronegócio. Muitas vezes, a produção de peixe pode superar o custo-benefício da agricultura e da pecuária. Por conta disso, dezenas de produtores paranaenses encontraram na piscicultura uma boa oportunidade de negócio. O lucro para um criador de tilápia, por exemplo, pode chegar a R$ 5 mil por hectare.
No Paraná, a produção de pescado soma 30 mil toneladas, em média, por ano e cresce perto de 10% por temporada. Entre as espécies mais produzidas estão tilápia, pacu, piau e até lambari. Na Região Norte do Estado, são produzidas cerca de 4 mil toneladas. A tilápia representa 90% da produção.
Luiz Eduardo Guimarães de Sá, engenheiro de pesca do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR) diz que o mercado de peixes nunca teve um crescimento como o que vem registrado na Região Norte. Ao todo, estão cadastrados no Emater 116 piscicultores.
A ministra da Aquicultura e Pesca, Ideli Salvatti, explica que o setor tem crescido em média 12% ao ano em todo País, mas ainda tem sérios gargalos. Sabati reclama da falta de investimentos em desenvolvimento de pesquisas voltadas para o setor e, principalmente, da escassez de crédito. ''No Paraná temos exemplos de sucesso de produtores que deram certo na atividade, mas só conseguiram isso pela sua teimosia'', aponta a ministra.
Tanto no Brasil, quanto no Paraná, os investimentos saem somente do bolso do produtor. A ministra refoça que, só agora, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem começado a fomentar o setor produtivo, com ajuda de entidades empresariais, como agroindústrias e cooperativas, que vem se mobilizando para incentivar o cultivo de peixe. A ajuda, segundo a ministra, é muito bem vinda porque quase 100% da produção é realizada por meio da agricultura familiar. ''O Pronaf também tem ajudado a melhorar o crédito da piscicultura'', esclarece a ministra.
Mesmo com a falta de créditos dispostos aos piscicultores, o engenheiro de pesca do Emater, Guimarães de Sá, diz que a relação custo-benefício é favorável e os investimentos dos pequenos e médios produtores estão crescendo. O primeiro passo nessa empreitada é a construção dos tanques. Na região Norte do Paraná, por exemplo, o escavado é predominante. Já o tanque rede, muito utilizado em grandes rios e represas, é pequeno na região. Segundo Guimarães de Sá, a produtividade média da piscicultura paranaense chega a 10 mil quilos por hectare/ano e oferece um bom retorno financeiro.
O investimento, acrescenta ele, mesmo sem a ajuda do governo, vale a pena. O preço de um tanque escavado não é muito alto, cerca de R$ 2 a R$ 3 o metro quadrado. Para fazer um hectare de tanque, por exemplo, o produtor gasta entre R$ 20 mil a R$ 30 mil, mais os custos dos alevinos, que no caso da tilápia, pode variar de R$ 90 a R$ 120 o milheiro. Para se ter uma ideia de quanto o negócio pode ser bom, o custo de produção de uma tilápia, por exemplo, sai para o produtor paranaense, em média, R$ 2,50 o quilo. Esse mesmo produto é vendido por R$ 3 a R$ 3,30, o quilo para atravessadores e frigoríficos. Se o produtor optar por vender diretamente ao consumidor final, o quilo do animal vendido sai perto de R$ 5.
Guimarães exemplifica que um criador de tilápia que produz 10 toneladas por hectare, tem um custo de produção de R$ 25 mil, vende a R$ 3 e pode ter um rendimento de R$ 30 mil, tendo um lucro livre de R$ 5 mil. De acordo com o engenheiro da Emater, 50% dos peixes vivos produzidos vão para abatedouros, 40% para pesque-pague e 10% são direcionados para feiras livres, bares e restaurantes.


