O manejo da água: uma alternativa viável
Para o produtor que já compreendeu a importância de interferir positivamente no ciclo hidrográfico, nem tudo o que cai do céu significa apenas chuva, sendo entendido também como água que pode ser aproveitada, diminuindo os custos de produção, dando ainda uma mãozinha para o meio ambiente.
A lição vem de Minas Gerais, estado onde a Emater, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), incentivam, principalmente, os pequenos produtores a aproveitarem melhor as águas das chuvas.
A média pluviométrica anual em MG é expressiva, como no Paraná, variando nas regiões de menos precipitações de 800 a 2 mil milímetros nos municípios de maior incidência de chuvas.
Oitenta mil produtores mineiros já utilizam as técnicas de aproveitamento, conseguindo aproveitar 80% das águas das chuvas, enquanto que na região norte, considerada a mais carente daquele estado, 50% da água ainda são desperdiçadas.
Países pobres da África utilizam a tecnologia que o engenheiro, Maurício Fernandes, agrônomo da Emater (MG), aprofundou os conhecimentos em um curso em Israel.
Mestre em Solos e Nutrição de Plantas pela Emater (MG), Fernandes é coordenador técnico estadual e, recentemente, esteve em Londrina proferindo uma palestra sobre o aproveitamento da água no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Para ilustrar o grande potencial de água brasileiro, o Paraná está sobre o maior manancial transfronteiriço subterrâneo do Planeta, o Aquífero Guarani, que se estende pelo Estado até a Bacia do Chaco-Paraná, compreendendo ainda a Argentina, Paranguai e Uruguai.
Numa área de 1,2 milhões de quilômetros quadrados estão reservados no subsolo 45 trilhões de metros cubicos de água, o que não afasta a preocupação com o aproveitamento, um aliado forte para manter o controle do ciclo hidrológico que abastece os lençóis aquíferos.
Por ciclo hidrológico entende-se a reposição das águas dos rios, lagos e lençóis subterrâneos.
Para que isso aconteça o calor do sol provoca a evaporação da água, que se acumula nas nuvens até completarem o ciclo em forma de chuva.
''Em Minas Gerais, como o Paraná, a ocorrência de chuvas é bastante expressiva, mas grande parte é despediçada por escoamento superficial, as enxurradas, lembra Fernandes.
O coordenador técnico explica que as enxurradas além de provocarem erosões, contribuem para as ocorrências de inundações.
Com o aproveitamento da água da chuva, Fernandes destaca que o produtor ajuda a potencializar o solo, como reservatório. Além disso gera economia, evitando prejuízos com a erosão e inundação, influenciando a qualidade da produção, que terá um solo com mais umidade e qualidade.
''A água infiltrada na terra tem duas destinações: abastecer os aquíferos, sendo que as plantas também utilizam o líquido no seu metabolismo. Através de algumas medidas simples, o agricultor se transforma num produtor de água, mudando até as caraterísticas de um solo compactado'', comenta Fernandes.
Na opinião do técnico, a zona rural é o ambiente mais eficiente para o aproveitamento da água. Na área urbana o asfalto das ruas e calçadas cimentadas dificultam a permeabilidade do solo.





