Na propriedade de Pedro Campos, em Patos de Minas (MG), está o maior plantel de Purunã fora do Paraná: "É um gado dócil e fácil de lidar"
Na propriedade de Pedro Campos, em Patos de Minas (MG), está o maior plantel de Purunã fora do Paraná: "É um gado dócil e fácil de lidar" | Foto: Divulgação



Numa bela propriedade de 505 hectares localizada em Patos de Minas (MG) está o maior plantel de Purunã fora dos limites territoriais do Paraná. Um negócio que começou quase por acaso, em 2013, e no final das contas foi uma prova cabal que a raça tinha um potencial enorme para se expandir para outros territórios do País com uma qualidade incrível de adaptação e resultados.

O engenheiro agrônomo, Pedro Campos, explica que seu pai, Geraldo Campos Magela, adquiriu a propriedade em 2000 e que até então nunca havia trabalhado com pecuária. O foco sempre foi soja, milho e feijão numa área completamente irrigada no cerrado brasileiro. "Meu pai acabou vendo uma reportagem na televisão sobre o Purunã e se interessou. Foi um 'tiro no escuro'. Como a composição da raça tem gado europeu, que são mais sensíveis, a gente não esperava toda essa rusticidade", explica o profissional que administra a propriedade.

Hoje eles contam com exatamente 382 cabeças (as primeiras adquiridas no Iapar) e o foco do negócio é a venda de tourinhos. Este ano será a primeira vez que eles farão o descarte de fêmeas. A maioria dos animais estão acima de 24 meses, mas também possuem cabeças das gerações 2017 e 2018. "Aqui estamos em 600 metros de altitude e clima de Cerrado, com poucas precipitações, completamente o inverso do que acontece no Paraná. O que mais as pessoas nos perguntam é justamente em relação à adaptação do gado, porque ninguém acredita que o gado vá bem, pois as regiões são muito diferentes."

Pedro explica que antes da aprovação da raça no Mapa, muitas pessoas tinham receio de investir no Purunã, pois não sabiam se a raça avançaria em relação à comercialização, registros e classificação do animal. "Hoje as pessoas que adquirem os tourinhos sabem que temos genética, quem são os pais, avós, da onde surgiu, é uma segurança a mais."

No ano passado a família Conte comercializou por volta de 30 tourinhos, no valor médio de R$ 8 mil cada já na idade de monta. Ele acredita que esse preço deva evoluir, principalmente quando comparada com os concorrentes. "Touros como Senepol e Angus custam mais caro do que isso. Vendi para alguns pecuaristas que também trabalham com o Senepol e ele se mostraram mais satisfeitos com o Purunã."

O projeto em Patos de Minas agora é atingir 500 fêmeas parindo anualmente, além claro, comercializar mais tourinhos por diversos estados do País. Em relação ao manejo, Pedro comenta que os animais são muito mansos, o que facilita demais o trabalho. "É um gado dócil e fácil de lidar", elenca.

Por fim, Campos diz que fez um investimento pesado para controlar os carrapatos e conseguiu ficar cinco meses sem nenhum tipo de ação controlada e levar os animais para o curral. "Fiz um investimento para atingir este nível. O Purunã é um animal com carne macia, com bastante gordura entremeada, gosto de manteiga, de excelente qualidade." (V.L.)

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