Estimativas da Embrapa Florestas dão conta de que aproximadamente 50% das áreas de pastagens cultivadas no Brasil estão degradadas ou em degradação. Tal imagem implica negativamente na sustentabilidade das cadeias produtivas da carne e do leite, ambas de grande importância socioeconômica para o País.
A necessidade do setor produtivo em identificar e desenvolver oportunidades de mercado e sistemas de produção integrados que suplementem a atividade na propriedade pode ser contemplada pela adoção de um sistema silvipastoril. ''Com a produção de madeira na mesma área de pastagem, aumenta a renda por unidade de área'', afirmou Vanderlei Porfírio, pesquisador da Embrapa Florestas.
Segundo Porfírio, o uso eficiente da terra em sistemas silvipastoris é entre 20 e 40% superior ao de pastagens convencionais. ''As árvores contribuem para a captura de nutrientes e umidade do solo em diferentes profundidades, estabelecendo uma relação positiva de custo/benefício'', informou.
Nos sistemas silvipastoris, as árvores são reponsáveis pela conservação do solo, pelo controle da erosão e pela ciclagem de nutrientes. A utilização da radiação solar também é mais eficiente que em pastagens em monocultivos.
O sistema contribui ainda para a fixação de gás carbônico com menor emissão de óxido nitroso e gás metano pelos ruminantes. ''As áreas de pastagem terão sua produção e sustentabilidade favorecidas pela melhoria ambiental e economia de recursos, decorrentes do aumento da vida útil dos pastos'', acrescentou Porfírio.
Tanto o leite, a carne, o couro e a madeira produzidos em sistema silvipastoril são considerados ecologicamente corretos e podem ser vendidos com valor agregado. ''Uma ótima oprtunidade para o produtor investir no marketing da carne'', sugeriu Geraldo Moreli, zootecnista da Emater de Arapongas.
Segundo ele, o Paraná conta hoje com cerca de 150 propriedades adaptadas ao sistema silvipastoril e outras 20 em fase de implantação. Os municípios de Paranavaí, Cianorte e Umuarama já contemplam o sistema há pelo menos 15 anos.
Pioneirismo A Estância Lagoinha, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), é uma das propriedade mais antigas da região Norte do Estado a combinar a pecuária com a produção de madeira.
O proprietário Ernani Pedroso Lima destina 3,5 hectares (ha) à produção de eucalipto e outros 3,5 ha à produção de pinus. Cerca de 10 ha são cultivados com grãos para a silagem de inverno e o restante são áreas de reflorestamento e pastagem para as 50 cabeças de gado charolês. A finalidade da atividade pecuária é a venda de reprodutores e matrizes.
As árvores estão completando quatro anos e já podem dar os primeiros frutos. ''Se o objetivo do produtor é vender madeira fina, ele já pode colher as primeiras lascas'', previu Moreli. Mas se a idéia é obter toras de valor agregado, a colheita deverá acontecer dentro de 15 anos - dependendo da espécie -, quando as árvores estarão completamente formadas.
''A curto prazo, o proprietário da estância irá perceber melhora no índice de prenhez'', apontou o zootecnista. Dados levantados pela Emater mostram que a capacidade de reprodução das matrizes é adiantada em seis meses quando o animal recebe alimento de qualidade e conforto térmico proporcionado pela sombra das árvores.

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