O longo caminho da energia limpa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de março de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os programas de biocombustíveis vieram para ficar. Independente de questões econômicas e das variações abruptas da cotação do petróleo a energia limpa é encarada como uma necessidade. Devido à escassez do combustível fóssil e ao aquecimento global (provocado pela emissão de poluentes) as pesquisas em torno das energias renováveis devem ter continuidade. No entanto, há um longo caminho a percorrer. A falta de estruturação da cadeia produtiva de oleaginosas alternativas e o desenvolvimento das pesquisas devem viabilizar a produção somente a longo prazo.
Estimativas indicam que as reservas de petróleo mundiais devem acabar em 40 anos. E os biocombustíveis também devem ser uma matriz energética de transição, com duração prevista pelo mesmo período. Pesquisas em desenvolvimento indicam que o futuro energético está em outras fontes, como a energia eólica, solar, atômica e no hidrogênio. Os biocombustíveis terão uma sobrevida curta até porque para a sua produção há queima de carbono e uma certa poluição, observa Dalziza de Oliveira, pesquisadora de Agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Mas faltam programas (de biocombustíveis) para desenvolvimento a longo prazo com metas traçadas, prazos definidos e com subsídios para a manutenção e estabilização dos programas, avalia Dalziza. Ela lembra, inclusive, que este é o terceiro ciclo de pesquisas iniciado no País em torno dos biocombustíveis. Desde o governo de Getúlio Vargas foram desenvolvidos estudos sobre o aproveitamento do pinhão manso e do tungue, que acabaram abandonados. Estes programas foram iniciados em períodos de pico do preço do petróleo, só que como o Brasil não tem um planejamento estratégico há novamente o risco de que esta história seja repetida já que a cotação do petróleo caiu, afirma.
Além disso, na opinião da pesquisadora, há um outro fator de risco: a vinculação de todo o programa com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, pasta criada pelo atual governo. Este é um ponto de fragilidade, que torna o programa vulnerável, não sabemos nem mesmo se este ministério continuará existindo. Deveria haver mais envolvimento dos ministérios das Minas e Energia e da Agricultura, diz. Por enquanto, a adição de 3% de biocombustível ao óleo diesel com previsão de aumento para 4% tem dado um certo fôlego ao programa. Por enquanto, a conta tem sobrado para o consumidor, uma vez que o preço do litro do combustível verde ainda é mais caro do que o do óleo diesel.
No último leilão da Agência Nacional do Petróleo, por exemplo, o litro do produto foi vendido por R$ 2,15. O consumidor acaba subsidiando o programa para manter os preços atrativos, é o custo ambi-ental. Os consumidores também bancaram os preços da gasolina no início do Pro-Álcool, observa Dalziza. Apesar deste fator, a agricultura familiar inicialmente o público-alvo do programa não tem tido muita participação. Isto porque cerca de 80% de todo o biocombustível produzido no País ainda é de óleo de soja, devido à maior escala de produção. Cerca de 19% é de origem animal e apenas 1% a partir de outras oleaginosas.


