O lixo rural da vacinação
Wilmar S. Marçal
Márcio Liboni
Durante o mês de abril o Paraná esteve engajado em mais uma campanha de vacinação contra a febre aftosa. Experimenta também completar dois anos sem foco da doença e, com isso, voltar a participar das exportações, abrindo novas fronteiras para seu efetivo bovino de quase 9 milhões de cabeças.
Este também parece ser o momento adequado para tratar de outro assunto igualmente importante: o que fazer com o lixo rural que essa originou?
Se partirmos do raciocínio de que a campanha permitiu vacinar 9 milhões de cabeças somente de bovinos, e sabendo que em média o frasco de vacina tem 25 doses, isto significa 72.000 frascos que acabam sendo jogados fora, às vezes em rios e mananciais das próprias fazendas.
Se lembrarmos ainda que os criadores têm a tradição de, aproveitando o manejo, efetuarem a vermifugação do rebanho, o número de frascos vazios despejados no meio ambiente aumentou em duas, três ou mesmo quatro vezes.
Para onde vai tudo isso?
Muitas fazendas, visitadas ao longo dos últimos 15 anos, mostram que não há alternativas. Alguns criadores despejam os recipientes vazios em fossas; outros enterram, alguns incineram ao ar livre. A grande maioria, entretanto, encontra nos rios e córregos coacla para se desfazer disso. O que muitos não sabem, todavia, é que a maioria dos recipientes despejados não são degradáveis.
Sob a ótica do impacto ambiental, esse indesejado lixo se constitui num grande tormento para os criadores e uma preocupação para os ambientalistas.
No Paraná, entretanto, a solução pode estar próxima, restando para isso dois pontos fundamentais a serem explorados: primeiro a educação ambiental para os moradores das localidades rurais e capatazes; o segundo é a vontade política para a implantação de postos de reciclagem. Temos um bom exemplo a seguir. Em Santa Terezinha do Itaipu,no Paraná, já se realiza a reciclagem dos frascos de agrotóxicos. Por que não aproveitar essa idéia e o ‘‘know-how’’?
Este poderia ser um bom exemplo, que resultaria em ótimos resultados, e como gerenciadores responsáveis por esse processo ficariam as cooperativas, auxiliadas pelos próprios fabricantes dos produtos, sempre sob a supervisão e orientação dos médicos veterinários. A manutenção desses profissionais nos serviços de Defesa Sanitária Animal do Estado é fundamental para assegurar a ‘‘inocuidade’’ do rebanho para com a febre aftosa. Enganam-se os que pensam o contrário.
Wilmar S. Marçal é médico veterinário e Professor Dr. da Universidade Estadual de Londrina. Márcio Liboni é médico veterinário, residente do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina.

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