O incerto equilíbrio dos rios
Jota Oliveira
A água, em contínuo movimento, transporta os nutrientes essenciais à vida no planeta Terra (Atlas do Meio Ambiente - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa - , Editora Terra Viva, 1994). A água transporta substâncias úteis, como gases e sais indispensáveis à agricultura, aos animais de criação e aos seres humanos, mas também produtos químicos perigosos que poluem as nuvens de chuva, os mananciais, os rios, os lagos.
Embora a água cubra 70% da superfície da Terra, apenas 1% dela é potável, ou era potável no começo dos anos 90, já que uma parte estava contaminada e continuou sendo envenenada por esgotos domésticos e industriais, agroquímicos, mercúrio, fertilizantes e ácidos despejados diretamente nos rios e lagos ou emitidos para a atmosfera, de onde voltam nas chuvas. Tudo isso coloca em risco o equilíbrio entre a vida e a morte dessas fontes.
Quem tem mais, polui maisCalcula-se que toda a água potável existente no mundo equivale a 113 bilhões de metros cúbicos. Essa máquina que movimenta a vida, no entanto, pode tornar-se perigosa. As reservas de água são constantes; o que diminui é a qualidade delas, devido à poluição.
Por ironia, quem mais polui a água são os ricos, que teoricamente deveriam ser mais conscientes, por terem acesso fácil à informação. É o caso dos Estados Unidos, onde , segundo o Atlas do Meio Ambiente, em 1994 metade das águas subterrâneas já estava poluída por fertilizantes.
Algumas nações ricas estão conseguindo repovoar de vida alguns rios. Há anos anunciou-se em Londres, a presença de peixes no Tâmisa, um dos rios mais poluídos do mundo; na Alemanha, informou-se que o Danúbio também estava sendo repovoado. Na Holanda, um mar subterrâneo de chorume de porcos levou as autoridades e comunidade a se preocuparem com a poluição, pois a suinocultura acabaria por inviabilizar a agricultura, toda a pecuária e a presença do homem.
O Brasil, dono da maior quantidade da água doce do Planeta (15% do total mundial) é também o país que mais polui água, jogando nos rios e nos lagos esgotos residenciais e industriais não tratados; agroquímicos, mercúrio dos garimpos e um bilhão de toneladas de solo fértil por ano. No começo do último decênio do século XX, 70 em 100 pacientes internados em hospitais brasileiros eram vítimas de água poluída.
Zelar pelos rios e lagos é essencial para a segurança do abastecimento, porque apenas 1% da água doce disponível está nos rios, mas 52% são represados nos lagos, 38% ficam retidos no solo, 8% pairam na atmosfera e 1% compõem os organismos vivos. De toda a água da Terra, portanto, 99% não estão disponíveis para consumo humano, porque: 97% estão nos mares e oceanos, são salgados; 2% formam as geleiras. No Brasil, 80% da água doce estão localizados na Amazônia. Os 20% restantes atendem 95% da população brasileira. Por isso o Movimento pela Água e pela Cidadania recomenda: Preserve e economize água. Ela é um recurso finito e vulnerável. Quarta-feira, 24 de novembro, foi o Dia do Rio, quando se realzaram campanhas, no Paraná, sobre como a população, e em especial as crianças, deve agir para preservar a água.
BaciasOs rios brasileiros estão agrupados em cinco grandes bacias: 1 - Amazônica, a maior bacia hidrográfica do mundo; 2 - do Prata, segunda maior bacia hidrográfica da América do Sul; 3 - do São Francisco; 4 - Araguaia-Tocantins; 5 - do Atlântico Sul. A Bacia do Prata, sistema Paraná, é a mais poluída e também a que recebeu maior número de represas para geração de energia elétrica.





