O grão que gera renda e qualidade de vida
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
A voz alta e forte combina com os gestos rápidos e precisos com os quais Celeste de Oliveira Mello produz receitas à base de milho e explica a uma dúzia de alunos, todos produtores, que o grão pode gerar renda e qualidade de vida. De bolo de fubá a geladinho de milho, de quirera a curau, de suflê a pão, a instrutora de produção de alimentos mostra que do milho - in natura e industrializado - pode sair uma receita saborosa para consumo próprio ou uma oportunidade de negócio.
''A gente quer mostrar que a partir do milho é possível fazer receitas fáceis, as quais podem melhorar a alimentação diária, por conta dos nutrientes do produto, e ainda ser comercializadas'', ressalta Celeste, instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR). Segundo ela, o curso objetiva orientar os produtores de milho que, além do grão ser vendido como ração, também serve, e muito, para alimentação humana.
Muitas pessoas, acrescenta a instrutora, nem imaginam a variedade de receitas que é possível se fazer à base do grão e seus derivados. ''Tem gente que não sabe 'trabalhar' com ele, então comercializa o grão para servir de ração ou come apenas o milho cozido'', lamenta Celeste, elecando uma infinidade de sugestões: suco, sopa, biscoito, pão, bolo. ''Ah, e todo dia tem uma receita nova'', brinca. Uma delas é o bolo feito a partir dos resíduos (o que sobra do processo de preparo da pamonha, por exemplo) do milho. Outra é o risólis recheado com milho. ''Desse grão tudo se aproveita'', garante a instrutora.
Os derivados industrializados do grão também são ótimas opções, conforme Celeste. ''O pão de fubá é muito fácil de fazer e tem conquistado o paladar das pessoas'', afirma. ''A receita serve para o consumo próprio ou para a comercialização; é uma forma de aumentar a renda da família, principalmente a daqueles agricultores que, às vezes, não sabem o que fazer com parte do que é produzido'', garante. Aliás, ressalta a instrutora, todas as receitas apresentadas servem de exemplo para quem deseja lucrar com o milho e seus derivados.
Segundo Angélica Pelisson, mobilizadora do Senar em Maringá, o objetivo de cursos para produção artesal de alimentos é qualificar o produtor e incentivá-lo a produzir e comercializar. ''É dar opções para que ele possa usar o que produz das mais variadas formas, se alimentar de forma mais nutritiva, melhorar a qualidade de vida ou ainda comercializar e ter renda extra'', reforça Angélica.
O curso de transformação do milho, explica ela, é bastante solicitado e acontece todos os anos no Paraná, principalmente nas regiões mais produtoras do grão. ''É ofertado no período em que o milho está para ser colhido e os agricultores podem aproveitar a produção'', enfatiza a mobilizadora do Senar, responsável por organizar os treinamentos, convocar os produtores que demonstraram interesse e encontrar parceiros.
Angélica conta que os agricultores se interessam muito pelo curso não só pelo fato de aprenderem a manipular o alimento, mas também pela confraternização com outros produtores. ''A gente vê a alegria deles em participar do evento, percebemos que é uma grande felicidade quando se encontram'', confirma .
Para participar, segundo Angélica, basta procurar um sindicato patronal ou formar um grupo e procurar o Senar. ''O curso pode ir até o grupo, precisamos apenas de um local adequado, um salão de alguma comunidade ou pelo menos uma cozinha mais estruturada'', conclui. As aulas são gratuitas.


