O grão certo tem venda fácil
Escolher variedade garante liquidez ao grão. Desde o início da década de 90, com a privatização da compra do trigo, a produção nacional é toda destinada às indústrias. O jeito é produzir uma matéria-prima que corresponda às especificações dos moinhos.
Segundo o pesquisador de trigo da Embrapa Soja, Sérgio Roberto Dotto, das três classes de trigo existentes - brando, pão e melhorado - o trigo pão é o mais consumido no Brasil. ''Isto acontece porque no Paraná, maior produtor nacional, o solo e o clima favorecem o cultivo dos trigos pão e melhorado e as indústrias procuram aqui a matéria-prima para a produção de pães e torradas'', explicou.
Dotto ressalta que a mistura de classes prejudica o rendimento do produtor, já que os moinhos priorizam trigos específicos para a produção de pães, massas ou biscoitos. ''Mas misturar diferentes variedades de um mesmo trigo pode aumentar a produtividade, tornando-se um fator positivo de produção'', concluiu.
Para Mário Venturelli, diretor do Moinho Globo, com sede em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), a utilização da semente adequada é fundamental na produção de farinhas e pães. ''A equipe técnica do moinho acompanha as pesquisas feitas pela Embrapa e pelo Iapar para descobrir em quais áreas estão sendo plantadas as variedades que apresentam maior qualidade para a indústria de pães'', declarou.
O produtor de trigo, Moacir Canônico, também utiliza sementes qualificadas para a indústria de pães em sua propriedade de 130 hectares em Rolândia (25 km a oeste de Londrina). Em 2003, Canônico teve uma produtividade de 3 mil kg/ha, que comercializou através da Cooperativa de Rolândia (Corol).
''A combinação de fatores como bom estado do solo, clima favorável e semente adequada é ideal para a produção de um trigo de alta qualidade'', argumentou.
Canônico afirma que a lavoura está se desenvolvendo em boas condições, mas que a incidência de pragas antecipou a aplicação de fungicida, aumentando os custos de produção, estimados em R$ 1200,00/ha. ''O frio chegou na hora certa, mas as chuvas em excesso começam a preocupar. Por isso, se colher o mesmo que no ano passado já estarei satisfeito'', analisou.
O produtor explica que mesmo com altos e baixos, o cultivo do trigo pode ser mais rentável que o milho safrinha, que apresenta um risco climático muito maior por ser uma cultura de verão. ''Além disso, cultivar o milho durante o ano todo aumenta a incidência de pragas e doenças na lavoura'', finalizou.
M.G.





