O gosto da cana
Semanas atrás, senhoras que trabalham no corte de cana, no município de Itambé, declararam em reportagem feita por este jornal, que preferem continuar no campo, exatamente naquela atividade, a trabalhar na cidade, como empregadas domésticas, por exemplo. Disseram que na cana ganham mais e fazem o que gostam. Jamais trocariam de emprego, portanto.
Antes disso, uma reportagem feita em Porecatu, mostrou senhoras e jovens que deixaram o corte da cana para dirigir tratores, trabalho igualmente pesado feito na mesma lavoura de cana. Passaram a ganhar mais. Antes frequentaram cursos e treinamentos. Elas pertencem ao quadro de trabalhadores de uma cooperativa local, a Cofercatu.
As fazendas de cana, suas destilarias de álcool e usinas de açúcar, muitas ligadas ao cooperativismo outras não, investem na melhoria da mão de obra. Poderiam investir muito mais. Mas já fazem um bom trabalho. Muitas o fazem via Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; outras por conta.
É claro que o trabalho na cana é rude, que prejudica a saúde das pessoas, que a remuneração não é compatível. Mas não difere muito de outras atividades no campo e na cidade. Falta-lhe uma política de inclusão social.
Agora vamos conversar sério, sem cinismo, sem embarcar em discursos. Pergunto: afinal, o agronegócio da cana é uma alavanca para a economia brasileira ou é um estorvo aos preceitos ideológicos que permeiam certos setores do governo?
Recentemente, o governo brasileiro aceitou a acusação constante de relatório feito por órgão internacional para o Senado norte-americano. O relatório aponta trabalho escravo na cana. Isto não ocorre. Não no Paraná, pelo menos.
Parece uma orquestração contra a livre iniciativa no setor sucroalcooleiro. Cana neles! Cana, melaço, açúcar, energia, álcool combustível, renda, imposto, emprego...
H. Ramos Bezerra
A conversa de hoje foi inspirada na acusação injusta contra um importante setor na geração de empregos e distribuição de renda, a cana-de-açúcar.





