O glamour da avicultura, uma alternativa mais que rentável
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A avicultura desfila pelo agronegócio brasileiro com o glamour de negociar seus produtos em dólares, ienes e euros, desbancando atividades tradicionais no Paraná, como a produção de grãos.
Entre os líderes de um mercado internacional cada vez mais promissor, com uma evolução mundial que permite uma previsão de produção brasileira de 9.700 toneladas, em 2006, a avicultura envolve o trabalho de 10.767 famílias.
Uma atividade que, na avaliação de analistas de mercado, se tornou uma das únicas que consegue manter o homem no campo.
''Não existe algo que mais valorize o homem do campo que a avicultura, pois o produtor ganha sempre'', comenta o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, destacando a participação também do pequeno avicultor.
O produtor de Ubiratã (96 quilômetros ao sul de Campo Mourão), Hélio Trivillin, 52 anos, está provando dessa euforia do setor.
Há quatros anos, Trivillin e seus quatro irmãos encontraram nas aves uma alternativa para diversificar a produção de grãos na propriedade de 130 alqueires.
''Hoje estou priorizando a avicultura porque a rentabilidade é grande, dando mais que a lavoura. É preciso um alqueire de grãos para conseguir um lucro igual ao de um galpão de 105 por 12 metros quadrados'', afirma.
O início do negócio foi com apenas dois galpões, alojando 30 mil aves. Nesse período, a produção foi ampliada para cinco galpões e quase 90 mil frangos, que requerem a mão-de-obra de apenas dois trabalhadores.
''Recuperamos o investimento inicial e já pagamos o financiamento de 70% dos dois primeiros galpões. Estamos só aguardando a instalação de um abatedouro em Ubiratã para ampliarmos ainda mais a nossa produção'', comemora Trivillin.
Marta Kuwajima, 64 anos, iniciou a produção no final da década de 90 em uma propriedade de 6 alqueires na região sul de Londrina.
''Durante muito tempo, os resultados foram péssimos porque é uma atividade que depende muito do granjeiro, uma peça que considero fundamental na produção. A falta de conhecimento da atividade quase me fez desistir, mas com a assistência técnica rebebida pude detectar as deficiências da minha granja''.
A avicultora destaca ainda a contribuição das reuniões técnicas realizadas pela empresa a qual está integrada, a Big Frango. ''Nesses encontros pude perceber as minhas falhas. O problema estava na temperatura dentro da granja e da água das aves''.
Ela começou na atividade com um galpão com capacidade para até 23 mil aves e, há um ano, instalou mais uma unidade para 10 mil frango.
''Na fase de implantação o investimento é pesado. Alguns municípios dão apoio à produção, melhorando as estradas rurais, que é fundamental para o transporte das aves e a circulação dos técnicos. As prefeituras deveriam se preocupar com isso porque é uma atividade que gera muitos empregos'', explica Marta, acrescentando que ainda não recuperou os investimentos próprios feitos na atividade.
A produtora ressalta a importância social da avicultura, sendo uma atividade importante para pequenos produtores.
''Além de movimentar a economia local com reflexos na exportação, a avicultura ajuda a fixar o homem no campo. Embora, eu more na cidade tenho duas famílias que vivem na propriedade e trabalham na granja. Elas conseguem ter uma renda, oferecendo uma vida mais saudável para os filhos'', diz.
''Tenho vizinhos'', continua a produtora, ''que têm um ou dois alqueires e conseguem se manter na terra graças à avicultura. Enquanto há outros produtores que, por não encontrarem uma atividade lucrativa, vendem a terra. Não tendo como sobreviver nos grandes centros vão parar nas periferias'', avalia Marta.


