O girassol pode mover a frota
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
O agropecuarista Ruy Pigatto, de Curitiba, está entusiasmado com o uso do óleo de girassol no funcionamento de máquinas agrícolas. ''Se o agricultor tem tudo para produzir seu próprio combustível pela metade do preço por que não fazer?''.
Segundo ele, é possível produzir o óleo na propriedade a um custo de R$ 0,63 a R$ 0,70, enquanto o óleo diesel, dependendo da região, custa de R$ 1,45 a R$ 1,50, ou mais.
Pigatto iniciou testes na sua fazenda, no Mato Grosso do Sul, no ano passado com a compra do óleo de girassol. Impulsionado pelos possíveis resultados que o uso do produto pode trazer, este ano resolveu destinar 200 hectares para o cultivo da planta. Já comprou a centrífuga para purificar o produto e vai investir na aquisição de uma prensa. ''Vou montar uma pequena indústria de óleo na propriedade.''
Na experiência do ano passado Ruy Pigatto utilizou o óleo de girassol de duas maneiras. Começou usando o óleo puro num dos tratores da fazenda. O teste, no entanto, apresentou alguns problemas.
A maior dificuldade que existe é com relação à viscosidade, elevada dos óleos vegetais, que não permite sua combustão total, principalmente em motores de injeção direta, a maioria nas máquinas atuais, podendo levar a possíveis problemas de formação de resíduos nos bicos injetores e nos cilindros do motor.
Esse problemas, segundo o agropecuarista, poderiam ser resolvidos com um pré-aquecimento do produto, tornando-o mais fino e de fácil combustão. Há também a possibilidade de diluir o óleo do girassol com diesel ou álcool anidro, fazendo o chamado biodiesel.
Pigatto fez a mistura do óleo ao diesel numa camionete F1000, na proporção de meio a meio. ''A camionete já rodou 4 mil km e não apresentou nenhum problema,'' garante o agropecuarista. Segundo ele, o motor a diesel foi ''inventado'' inicialmente usando óleo de amendoin e só mais tarde, com a indústria do petróleo, apareceu o diesel. ''Já que estes motores foram concebidos para funcionar com óleo vegetal podemos achar soluções para que isso volte a acontecer.''
Biocombustível Alguns produtores do interior de São Paulo, da região de Manduri, onde a Coordenadoria de Assistência Técnica (Cati) tem pesquisas sobre o óleo de girassol há mais de dois anos, também estão testando o uso do óleo vegetal, puro ou misturado ao óleo mineral, em carros de passeio.
Segundo o agrônomo da Cati, Sylmar Denucci, os resultados têm sido animadores. Em veículos com motor de injestão indireta o uso do óleo puro, garante Denucci, proporciona o dobro do rendimento com um custo que sai pela metade em comparação ao combustível tradicional.
No caso dos motores de injestão direta ainda estão sendo testadas adaptações. A solução pode ser uma adaptação, com uso de tanques duplos, sendo um com diesel usado somente para dar partida no motor e fazer o aquecimento do óleo vegetal por meio de serpentina e, a seguir, mudar o sistema para que a máquina funcione e rode com o óleo de girassol.
Com o avanço dos testes e início da utilização em larga escala dos diversos tipos de óleos vegetais, o técnico da Cati acredita que a indústria de motores e bombas injetoras deverão mostrar interesse em pesquisar e oferecer soluções para o uso garantido desses biocombustíveis, à semelhança do que ocorreu com álcool.
O uso do combustível vegetal, concordam Rui Pigatto e Sylmar Donucci, traz a vantagem de se usar um recurso renovável, ideal ao apelo atual de menor agressão ao meio ambiente. ''Há vantagem em poluir menos; o teor de enxofre é mais baixo do que o do combustível mineral e proporciona maior lubricidade ao motor. Além disso, o custo é baixo. Não tenho dúvida de que no futuro boa parte das máquinas agrícolas deverão estar usando o óleo de girassol ou outro vegetal,'' afirma Pigatto.


