O GANHO DO PRODUTOR
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de junho de 2003
Edson Nem Ruiz 
É auspicioso ler nos jornais que a estimativa da safra brasileira de grãos é de 115 milhões de toneladas, 19% maior que a anterior. Mas é necessário avaliar se o ganho do produtor rural será correspondente ao porcentual de aumento do volume da produção. Importa também saber se essa gigantesca colheita resultará em mais alimento para a mesa do consumidor, notadamente no momento em que o Governo Federal se empenha na campanha da Fome Zero, destinada a beneficiar milhões de brasileiros que têm insuficiente acesso ao alimento.
Abundantes safras têm sido acontecimento comum no Brasil, graças à garra e à dedicação do homem do campo, à fertilidade do solo, à tecnologia aplicada, às grandes extensões de área cultivada - e ainda com vasta sobra de espaço, suficiente para multiplicar a produção atual - mas será preciso conferir se o agricultor também se beneficia desses prodigiosos resultados.
Aumento do volume de safras significa mais disponibilidade de oferta do produto agrícola e pecuário para o consumo interno e para exportação, mas, para que isso resulte benéfico para todos, o produtor rural precisa ser, também ele, usufrutuário desse benefício e não apenas o agente de incremento da produção. Ademais, o alimento daí resultante deve chegar à mesa do consumidor brasileiro menos agravado pela ganância dos intermediários e, portanto, mais barato, ou resultará que o produtor ganhe pouco e o consumidor pague caro, sem que essas extremidades - razão de ser de toda atividade produtiva - sejam beneficiadas.
É indiscutível que a redenção econômica do Brasil ocorrerá pela via da agricultura e da pecuária, pois o mais virá como consequência, porém o homem do campo não opera com segurança, embora aumente a cada ano a sua participação no volume da produção.
Segmentos cujos produtos figuram na pauta das exportações estão satisfeitos no momento, e isso é louvável, porém muito mais em função da variação cambial do que por uma política oficial de sustentabilidade que garanta a atividade rural. Não deveria ser assim, quando o mundo carece de alimentos e nosso país tem condições de produzí-los.
Se o homem do campo sabe produzir e responde à necessidade nacional de abastecer de alimentos o Brasil e os mercados compradores externos, há que cercá-lo de garantias, para que não apenas os intermediadores ganhem, mas que o produtor e o consumidor final sejam os principais beneficiados. Grandes safras são notícia alvissareira, mas fato ainda melhor será assistir ao fortalecimento do produtor rural, porque se ele for bem economicamente, tudo o mais irá bem.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná, com sede em Londrina.


