Carrapato, berne e outros parasitas externos exigem trabalho, mas são fáceis de controlar porque os sinais são evidentes. Mas quando o assunto são os parasitas internos, muitas vezes a solução pode chegar tarde. O alerta foi dado pelo pesquisador Ivo Bianchin, do Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte da Embrapa, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Bianchin falou aos pecuaristas, esta semana, na 44 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
O médico veterinário orientou os criadores a perceber qualquer alteração no comportamento dos animais. Falta de apetite, perda de peso, anemia e diarréia são sintomas do ataque do parasita mais comum no campo: a Cooperia haemoudus sp, encontrada em vida livre no pasto para depois se desenvolver nos órgãos dos bovinos. Pode comprometer as funções do estômago, intestino grosso e delgado, fígado, rins, pâncreas, entre outros. Em 2% dos casos leva o animal à morte.
O tratamento sistêmico tem que ser feito em épocas e idades específicas. O gado tratado do desmame aos 24 meses de vida fica praticamente imunizado contra as doenças parasitológicas. Também representa economia para o produtor. ''Em idades superiores a esse limite, é necessário aumentar as doses de anti-helmínticos, o que representa custos elevados e maiores riscos de contaminação da carne'', recomenda. Segundo o pesquisador, o controle deve ser feito nos meses de maio, julho e setembro, época de maior incidência dos parasitas.
Ele também destaca que outra forma de reduzir o índice de parasitas internos é fazer a rotação de pastagem. ''Experimentando diferentes tipos de alimento, o gado produz enzimas diferentes no organismo, o que dificulta a proliferação dos vermes''. Além desta técnica, também é recomendado criar espécies em consórcio na mesma área, como bovinos e ovinos. ''Não existe perigo, pois os parasitas de uma espécie não atingem a outra. Se uma ovelha ingerir o parasita do bovino, não fará efeito e será eliminado'', acrescenta.
Proposta da pesquisa - Preocupadas com a baixa produtividade das pastagens na criação de gado, duas instituições - a Emater/Seab e o Instituto Agronômico do Paraná, estão propondo novos sistemas com variedades adaptadas para o Norte do Paraná. Na Via Rural, no Parque de Exposições Ney Braga, técnicos instalaram uma unidade ditádita expositiva de pastagens. É uma área de 340 metros quadrados com 12 tipos de pastos mais usados na região, destacando a importância de cada um na alimentação de bovinos, equinos e ovinos. Segundo o zootecnista Antonio Carlos Ulbrich, da Emater, para que um animal cresça forte e saudável a pasto é importante escolher um bom capim. O técnico lembra que as variedades expostas durante a Expo 2004 são as mais indicadas para a região: cynodon - tifton 85, cynodon - tifton 68, monbança, tanzânia 1, cynodon - coast-cross, hermathria - Iapar 36, brachiária - brizantha, capim elefante - pioneiro, capim elefante - paraíso e brachiaria/brizanthão e a cynodon -estrela roxa, sendo que essa espécie é uma das mais indicadas para alimentação de bezerros e outros animais ruminantes. Além da qualidade do pasto, o técnico chama a atenção para o manejo rotativo de pastagens, importante para que o capim possa se reestabelecer e fornecer nutrientes aos animais.

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