A bacia hidrográfica do Rio do Campo, em Campo Mourão, é um exemplo de recuperação e preservação que deu certo. Com os esforços de produtores, da Emater, da Sanepar e da prefeitura da cidade o trabalho começou no final dos anos 70, quando a cidade de Campo Mourão ainda era abastecida por águas de minas.
Com o crescimento populacional, esses mananciais tornaram-se insuficientes e em 1976, a Sanepar assumiu a responsabilidade de abastecer a cidade. O gerente da unidade da Sanepar de Campo Mourão, Carlos Roberto Pinto, conta que na primeira chuva forte, a cidade ficou sem água. ‘‘A Sanepar não conseguiu dar conta de tratar a água, tamanha a quantidade de sólidos e turbidez’’.
O problema estava na bacia do Rio do Campo. Sem a proteção de matas ciliares, o rio acabava recebendo, em cada chuva, uma quantidade enorme de poluentes e terra. ‘‘Isso por causa do pensamento da época, quando as propriedades eram desmatadas até a beira do rio’’, conta Carlos Roberto.
Há muitos anos, a Sanepar não detecta traços de contaminação por agrotóxico nas análises da qualidade da água. Isso por causa de um outro trabalho desenvolvido nos 7 mil hectares que compõem a extensão da microbacia. Desde 1989, os produtores dessa área passaram a utilizar produtos biológicos para controlar a lagarta e o percevejo da soja, em um trabalho conjunto com a Embrapa Soja. Assim, as lavouras estão livres de veneno e o Rio do Campo também.
E muita gente foi beneficiada com isso. Os 82 mil habitantes de Campo Mourão recebem diariamente em suas casas uma água de boa qualidade. Carlos Roberto lembra, entretanto, que o trabalho continua. Ainda estão sendo reflorestadas partes das margens do Rio do Campo, que não têm toda a mata ciliar. ‘‘E vamos realizar estudos e trabalhos sobre lixo e embalagens de agrotóxico’’, afirma.
Com a implementação da lei que regulamenta a Política Nacional de Recursos Hídricos, Carlos Roberto acredita que essa situação vai melhorar ainda mais. ‘‘Muitas vezes temos projetos, detectamos problemas, mas não existem verbas para realizá-los’’. Segundo ele, a lei vai amenizar esse problema, porque institui a captação de recursos. ‘‘É uma medida salutar. Todos vamos pagar, mas os benefícios serão imensos. Cada um deve saber que é importante cuidar da água, antes que ela acabe’’, finaliza. (J.S)

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