''O entrave é a política econômica''
O endividamento dos produtores é apontado como um dos principais sofrimentos do setor nos últimos anos. Para o economista da Faep, Pedro Augusto Loyola, uma das formas de o produtor não se endividar é conhecer o custo de produção, ter tudo na ponta do lápis. ''Produtores organizados não têm problemas de pagamento'', destaca.
O assessor técnico-econômico, Carlos Augusto Albuquerque, lembra que a agricultura está vivendo uma situação de anormalidade devido a queda do dólar. ''A crise provocada pelo câmbio começou na agricultura e agora já atinge o setor industrial como as áreas de madeira e calçados'', afirma.
Histórico - Nos últimos dez anos, o governo federal tomou algumas medidas para tentar minimizar o problema do endividamento dos agricultores. O economista da Faep, Pedro Loyola, lembra que entre 1993 e 1995, ocorreu a CPI do endividamento agrícola. Em 1997, o governo implementou a securitização. Em seguida, veio o Pesa para alongar dívidas acima de R$ 200 mil.
A crise que o setor viveu entre 2004 e 2006 foi provocada por problemas climáticos como a estiagem e, principalmente, pela queda do dólar. ''O governo editou medidas paliativas prorrogando as dívidas de custeio. As medidas que o governo adotou só empurraram o problema para frente'', diz Loyola.
Segundo ele, os Planos Safra anunciados nos últimos anos têm avanços mas, devido à crise dos últimos três anos, na safra 2006/2007 sobrou R$ 1,5 bilhão na agricultura familiar e R$ 2 bilhões na agricultura comercial porque os produtores estavam endividados e não tinham como utilizar estes recursos. ''O governo tem que oferecer uma solução definitiva dando capacidade de pagamento'', afirma.
A economista Gilda Bozza calcula que desde 2004 até agora os agricultores do Paraná já acumulam um prejuízo de R$ 7,5 bilhões. Ela destaca que, com os bons preços internacionais dos produtos agrícolas, mesmo com o dólar baixo, os produtores podem ter alguma recuperação. Loyola completa dizendo que há agricultores que contraem outras dívidas para pagar a conta e estão chegando a uma situação limite. ''Enquanto os produtores não quitarem as dívidas de investimento não terão como fazer novos financiamentos'', resume Loyola.
''O governo federal é culpado porque tem uma política cambial burra e safada'', protesta o assessor Carlos Albuquerque. Ele destaca que o mercado internacional é o melhor possível (referindo-se as cotações internacionais). ''O entrave do agronegócio é a política econômica do governo federal''. (A.B.)





