O encontro das Folias de Reis
Cássia dos Coqueiros é uma pequenina cidade localizada na região de Ribeirão Preto, a 15 km da divisa de Minas Gerais. Sua população é de quase três mil habitantes entre zona urbana e rural. É uma região de gado leiteiro, café, braquiária, cana e, há pouco tempo, iniciou-se o plantio de eucaliptos. Uma boa parte das pessoas que ali residem são nossos parentes, porque meus pais além de serem primos, nasceram lá.
Duas festas importantes movimentam toda a cidade e região: a Folia de Reis que vai de primeiro a seis de janeiro e a Festa de Santa Rita de Cássia, que é a padroeira da cidade, no dia 22 de maio, e essa começa uma semana antes. Entre as duas, conforme a tradição local, acontece o Encontro das Folias, no último domingo de janeiro. Uns dias antes, é armada uma cobertura que pega toda quadra em frente à praça da Matriz; são colocados bancos e cadeiras para as pessoas em toda a extensão da rua e um palco para as apresentações. A prefeitura organiza tudo, recebe doações e oferece o almoço que é feito e servido quase sempre por pessoas voluntárias. Também aluga espaços para os vendedores ambulantes, camelôs que vêm de diversos lugares; armam suas barracas, bancas, formando aquela feira de rua, um verdadeiro camelódromo a céu aberto. Vendem de tudo: roupas, panelas, brinquedos, calçados, bijuterias, plantas, comidas, CD, DVD, pen-drives, capinhas de celular, etc.

Às nove da manhã, o prefeito, algumas autoridades locais, o representante das Companhias, alguns Embaixadores, após um pequeno discurso, dão início à apresentação das Folias que, no ano passado, eram cinquenta participantes. Elas vêm de vários municípios da região e zonas rurais, como: Cajuru, Santa Cruz das Palmeiras, Ribeirão Preto, Serrana, Serra Azul, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Rosa do Viterbo, Mococa, Altinópolis, Batatais, Guaxupé, Guaranésia, Itaú de Minas e muitas outras cidades do Sul de Minas.
Durante o dia, você encontra em quase todas as ruas da cidade, o pessoal das Folias se arrumando, ensaiando e se preparando para a apresentação. Quando é anunciada uma Companhia, os componentes já estão à beira do palco, sobem, começam a cantar enquanto os palhaços ficam no chão fazendo suas evoluções. Quando o almoço fica pronto, o apresentador fala no alto-falante e muitas pessoas vão almoçar e outras seguem depois, mas sempre há publico para assistir as apresentações. São feitas uma gravação e uma filmagem oficiais para serem vendidas. São músicas meio tristes, dolentes, religiosas; relatam a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus. A festa vai até a noite, dependendo do número das Companhias.
Nós estamos acostumados a assistir às Folias de Reis desde criança quando passávamos as férias de dezembro e janeiro na Serrinha, fazenda dos meus avós. Meus pais foram festeiros de uma Folia de Cássia dos Coqueiros quando comemoraram as suas Bodas de Ouro. Os festeiros são responsáveis por toda a despesa dessa Companhia: pelo traje, almoço e janta no primeiro e último dia, pelas doações, ofertas, etc. Foi uma linda festa, com a presença de todos os filhos, netos e alguns amigos daqui que lá foram. Hoje, se não conseguimos assistir à Folia de Reis no início de janeiro, certamente o Encontro das Folias no final do mês não perdemos. Essa festa folclórica, religiosa - Folia de Reis - faz parte da vida de nossa família.
IDIMÉIA DE CASTRO, leitora da FOLHA





