O desperdício de grãos no processo de colheita, transporte e armazenagem ainda é muito grande no Brasil, apesar dos esforços dos pesquisadores e da assistência técnica que orienta os produtores. Nesta safra estima-se que 27 milhões de sacas de soja ficarão no chão na hora da colheita. Um prejuízo de R$ 540 milhões. Na armazenagem de grãos em geral estima-se que as perdas cheguem a 10% e no transporte somam-se mais 10%.
Das três fases apenas a colheita da soja tem sido objeto de estudos que fornecem números mais consistentes sobre perdas de grãos no Brasil. Nas duas outras etapas os dados ainda são bastante imprecisos, afirma o pesquisador da Embrapa Soja, Nilton Pereira da Costa. ‘‘O que sabemos é que estas perdas são bastante significativas, e no caso do milho, o Paraná é o primeiro estado que está realizando levantamentos sobre perdas através de trabalho na Emater’’.
OrientaçõesNão importa se a máquina é nova ou velha, o importante mesmo é que o equipamento esteja bem regulado para evitar as perdas durante a colheita. Segundo Nilton Pereira da Costa, este ano os produtores devem deixar de colher aproximadamente 2 sacas/hectare resultando num prejuízo de 27 milhões de sacas, o que representa R$ 540 milhões.
Nos últimos 20 anos, desde quando foi criada a campanha de redução de perdas na colheita da soja, estes índices foram reduzidos aproximadamente pela metade. A média de perda no Brasil era de 4 sc/ha e hoje fica em torno de 2 sc/ha. No Paraná esta média é de 1,2 sc/ha. Existem áreas em que esse índice é de 0,78 sc/ha. ‘‘Nestes 20 anos, nosso trabalho ajudou o Paraná a economizar 1 bilhão e 900 milhões de reais. No Brasil a economia foi 5 bilhões e 400 milhões de reais’’, diz Costa.
O pesquisador da Embrapa Soja informa que cerca de 80% das perdas na colheita ocorrem pela falta de regulagem dos mecanismos da plataforma de corte das colhedoras, formada por molinete, caracol e barra de corte. Outra peça bastante importante é o molinete, e a regulagem deve ser feita para que a altura toque no terço superior da planta. ‘‘Desta forma, é possível minimizar o impacto e evitar a abertura indesejada das vagens, quando estiverem maduras’’, diz Pereira da Costa.
É importante que o produtor conte com a assistência de um técnico capaz de operar adequadamente a colhedora. Estudos indicam que a velocidade da máquina deve variar entre 4 e 6 km/h, permitindo o corte das plantas pelas navalhas e não a raspagem, que causa perdas. ‘‘Outro problema que pode surgir é a quebra do grão. O descuido do produtor causa quebras que podem variar de 10 a 13%. Por isso é preciso estar atento a estes detalhes’’, enfatiza o pesquisador.
TreinamentoNesta safra a Embrapa Soja e Emater-PR vão realizar treinamentos dirigidos a técnicos e produtores em várias regiões, dando continuidade ao trabalho de orientação que vem sendo feito nos últimos anos. Durante os treinamentos serão distribuídos aproximadamente 7 mil copos medidores de perdas no Paraná e em outras regiões do Brasil. ‘‘ O trabalho a ser feito ainda é grande, pois existem 240 mil produtores de soja no Brasil, e até agora foram distribuídos aproximadamente 100 mil copos medidores’’, comenta.
O kit contra o desperdício (copo medidor + vídeo + manual do produtor) detecta o índice de grãos perdidos na lavoura e ajuda o produtor a perceber sua perda para regular a máquina conforme as características de sua área.

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