O desafio de produzir mais e poluir menos
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sexta-feira, 06 de junho de 2008
Heloísa Prado<br> Reportagem Local 
Em meio à crise alimentar mundial a agricultura vive seu maior desafio: produzir cada vez mais, poluindo cada vez menos. Cultivar alimentos em larga escala implica quase sempre em impacto ambiental, incluindo a redução da biodiversidade, o que torna a atividade um tanto quanto poluente. Por isso, quanto maior for a plantação, maior será o desequilíbrio do ecossistema. O campo tem hoje a missão de alimentar 6 bilhões de bocas em todo o mundo, mantendo um sistema produtivo rentável e, de quebra, ser sustentável para preservar os ecossistemas.
Nessa busca pela superação, a grande questão é como vencer o desafio. Uma das alternativas mais viáveis e atraentes é o mercado de créditos de carbono, que busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo, beneficiando tanto a natureza quanto o agricultor.
Trocando em miúdos, créditos de carbono nada mais são do que certificados que autorizam o direito de poluir. Numa esfera menor, é como se você e seus vizinhos tivessem que cumprir metas de plantio de árvores para compensar outras formas de poluição (gases gerados a partir da criação de animais, queima de combustíveis, aplicação de defensivos, energia elétrica consumida) e manter o equilíbrio ambiental. Quem polui menos, teria que plantar menor quantidade de árvores. Já as grandes fazendas teriam que se empenhar mais no plantio, pois geram mais poluição.
É assim que funciona o chamado mercado de créditos de carbono, só que em uma esfera mundial. A idéia de criar um mercado que regulasse a emissão de gases poluentes surgiu a partir da necessidade de se reduzir as conseqüências do efeito estufa, um fenômeno gerado pelos gases lançados na atmosfera (CO2 ou dióxido de carbono, metano e outros). Ao efeito estufa os cientistas atribuem as profundas mudanças que vêm ocorrendo no clima global, como fenômenos naturais e aumento das temperaturas.
Cada tonelada de CO2 não lançada na atmosfera corresponde a um crédito de carbono. Em média, cada brasileiro gera uma tonelada de CO2 por ano, o que implica na necessidade do plantar sete árvores por ano. Gases mais poluentes, como o metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) geram mais créditos, 21 e 310 respectivamente.
Protocolo de Kioto
A mobilização mundial em favor dos ecossistemas começou em 1972, em Estocolmo, na Suécia, com a realização da 1ª Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, passou por várias outras conferências em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, quando foi realizada a ECO 92, e culminou com a Conferência em Kioto, em 1997, que foi a mais abrangente e da qual resultou o Protocolo de Kioto.
De acordo com a jornalista Laila Pacheco Menechino, membro da ONG MAE (Meio Ambiente Equilibrado), com sede em Londrina, o Protocolo de Kioto obrigou os países industrializados e responsáveis por 80% da poluição mundial a diminuírem suas emissões de gases formadores do efeito estufa, como o monóxido de carbono, enxofre e metano em 5,2% (média mundial), entre os anos de 2008 e 2012. Essa redução deve ser realizada com base no índice global registrado em 1990.


