A família de Sadao Takakura, de Floraí, seguiu o mesmo caminho de milhares de famílias japonesas que vieram ao Paraná no início da colonização do Estado. Em meados da década de 50, mudaram-se para o interior paranaense e da cultura de café tiraram seu sustento.
Em 1964, o produtor começou a investir na fruticultura com o cultivo de uva da variedade itália. Em 1975, introduziu outra variedade em sua propriedade: a uva rubi. A viticultura foi, a cada safra, se tornando mais importante para o produtor e uma benção da natureza lhe conferiu um lugar na história da cultura no Brasil.
Em 1988, durante uma das visitas de rotina às parreiras, o produtor percebeu que entre as milhares de gemas de uvas itália, uma se diferenciava. ''De repente, vi no meio daqueles montes de uvas branquinhas, um cachinho de uma uva bem escurinha'', lembra Takakura. Assim nascia a uva benitaka, de coloração rósea intensa e aspecto visual atrativo. ''Tirei o galho, que tinha sete gemas da uva, e comecei a multiplicar por enxertia'', completa.
Segundo o engenheiro agrônomo Aderson Tokushima, coordenador técnico da área de fruticultura na Cooperativa Integrada, o que aconteceu foi uma mutação somática das variedades ali plantadas. ''Com muita dedicação e usando toda sua experiência no manejo da fruta, Takakura conseguiu isolar e consolidar a mutação, surgindo assim a nova variedade'', explica Tokushima.
No início, foram duas parreiras produzindo a nova variedade. As primeiras frutas já eram vistosas, mas ainda não atingiam o brix (índice que mede o teor de açúcar da fruta) satisfatório. Depois de corrigido esse detalhe, o produtor passou a se preocupar com a divulgação da uva benitaka, cujo nome é uma analogia à cor da fruta (beni em japonês quer dizer rosado) e ao sobrenome do produtor (taka, de Takakura).
Fazendo questão de preservar a qualidade da fruta, Takakura se uniu a um grupo de outros produtores da região e, depois de inúmeras reuniões, definiu normas para distribuição, implantação e expansão da uva benitaka. ''Infelizmente, a uva paranaense tinha uma fama de fruta azeda, por falta de critérios na colheita. Para evitar isso, fizemos uma seleção cuidadosa de produtores para primar pela qualidade'', comenta. Entre os tratos fitossanitários que garantem a qualidade da fruta, o produtor destaca a colheita. ''Tenho o cuidado de colher a uva até às 10 horas da manhã, para manter a textura ideal e a qualidade na pós-colheita'', garante Takakura.
Hoje, a produção nas parreiras da família Takakura chega a oito mil caixas por ano e a qualidade do produto é um diferencial no mercado. ''O que produzo, vendo. Hoje a variedade benitaka é reconhecida por sua qualidade e é bem aceita nos grandes centros, como São Paulo'', conta o produtor de Floraí.
Esse reconhecimento é motivo de orgulho para quem dedicou grande parte de sua vida à viticultura. ''Para mim, são como filhas. Tempos atrás fiquei sabendo que um americano provou a uva e ligou para Floraí elogiando a qualidade da fruta. Isso não tem dinheiro que pague'', orgulha-se o produtor.
Na propriedade de Sadao Takakura, além da uva benitaka também são produzidas outras variedades, como red globe, stelben e outras. De suas parreiras, além da Benitaka também surgiu a variedade brasil, com coloração negra na casca e roxa nas bagas, proveniente também da mutação natural a partir da uva itália.

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