As sementes certificadas saem hoje de centros de pesquisa agrícola, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), sediada em Cascavel (Região Oeste), ou outros pesquisadores nacionais e multinacionais com garantia de total qualidade. O agricultor sabe que vai adquirir ali um produto totalmente seguro: geneticamente uniforme, altamente viável e livre de agentes que podem comprometer o bom desempenho de sua lavoura.
  Cada semente vai gerar quatro safras de novas sementes, que trazem o desafio, para o produtor, de gerar um produto de qualidade, o que significa sementes vigorosas, de alta sanidade e com pureza física e genética, ou seja, os grãos devem reproduzir as mesmas características da planta que lhes deu origem.
  Para o agricultor os investimentos no cultivo de sementes exige mais recursos, cuidados e tecnologia do que nas lavouras, mas técnicos e autoridades da área garantem que as vantagens são grandes. ‘‘Ao longo de 30 anos de pesquisas, percebe-se que nas culturas onde o uso de sementes certificadas é maior – como na soja e milho – os índices de produtividade cresceram muito’’, avalia José de Barros França Neto, pesquisador da Embrapa Soja de Londrina.
  Dados da Conab apontam que a produtividade da soja no Brasil pulou de 1,6 mil quilos por hectare em 1977, para 3,8 mil Kg/ha em 2008. A produtividade do arroz aumentou ainda mais no mesmo período, de 1,5 mil sacas para 4,4 mil kg/ha. A exceção ficou por conta do feijão, cuja produtividade aumentou apenas de 500 para 800 kg/ha. ‘‘O feijão é a vergonha nacional’’, diz o pesquisador, salientando que estes resultados estão diretamente ligados ao uso das sementes certificadas.
  Nesse caso, cuja produção é em geral feita por pequenos e médios agricultores, que não dominam o uso de novas tecnologias, as sementes certificadas respondem apenas por 11% do mercado de sementes nacional. A soja, por sua vez, tem 61% de sementes certificadas, o milho 83%, arroz 40% e algodão 44%. Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), a produção sementeira brasileira é de aproximadamente 2,1 milhões de toneladas e movimentou cerca de R$ 8 bilhões na safra 2007/08.
  O Paraná responde por cerca de 20% das sementes produzidas no Brasil, com destaque para as culturas de soja e de trigo. No caso da soja, o Estado que mais usa sementes certificadas é o Mato Gosso, com 91% do mercado de sementes. Lá, segundo França, a produtividade das sementes certificadas é 30% superior às demais. Já o Paraná registra praticamente a mesma média brasileira, em 60% de sementes certificadas.

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