O veterinário Carmo Rocha fiscalizou, como funcionário da Secretaria da Agriculura e do Abastecimento (Seab), a entrada de animais em todas as exposições de Londrina, desde a primeira, em 1955, no Jóquei Clube. Ele calcula que, neste período, passou diante de seus olhos uma boiada de 40 mil cabeças. O jornalista João Milanez, presidente do Conselho de Administração da Folha de Londrina, recorda que o Paraná importava 80% da carne que consumia. Hoje exporta carne, animais vivos e sêmen que estão melhorando a qualidade e a produtividade do rebanho bovino brasileiro.
Carmo Rocha tem notado que as exposições revelam uma melhoria dessa pecuária a cada ano. Há 42 anos predominava aqui um gadinho mestiço, de raça indefinida. Depois foram chegando nas fazendas animais puros, para reprodução, e os grandes lotes de cruzados destinados ao corte - muitos comprados em leilões nas exposições como as de Londrina. A hegemonia era de zebuínos, no Norte do Paraná, enquanto no Sul as raças européias dominavam. A Exposição de Londrina transformou esta região em um ponto de encontro das raças de origem indiana (zebuínas) e européia (taurinas), de onde estas, puras ou já cruzadas com o zebu, estenderam-se para todo o Brasil.
Zebu x europeuJosé Romualdo Silva Costa foi, durante 12 anos, administrador do parque de Exposições Governador Ney Braga, e em maio do ano passado tornou-se relações públicas da Sociedade Rural do paraná. Antes de ser administrador, função em que substituiu seu pai, Joião Guimarães Costa - o primerio administrador do parque -, Romualdo trabalhou no Registro Genealógico. Ele conta que ‘‘a movimentação e a demanda por gado de boa qualidade eram muito grandes. Vinha gente de toda a região à procura dos zebus, que reinavam absolutos’’.
Na opinião do funcionário da Rural, ‘‘apesar da importância inquestionável’’ do gado europeu, o nelore ainda é a grande atração da Exposição: ‘‘Não há cruzamento industrial sem a rusticidade do zebu’’, salienta. Quem viu a primeira exposição agropecuária de Londrina, há 42 anos, nos fundos do Jóquei Clube, e a compara com a Expo’97, percebe bem a evolução do gado.
O jornalista João Milanez, cujo nome foi dado ao principal recinto de espetáculos do Parque de Exposições Governador Ney Braga, lembra-se de que ‘‘uma tucurada’’ (o gado indefinido existente na região, naquela época) e alguns cavalos ficavam amarrados nos eucaliptos, porque não havia baias para eles.
Eram de 110 a 120 animais, segundo a lembrança de Carmo Rocha. Era pouco, mas já havia alguns animais de raça e eles foram julgados. Existia naquele tempo a doença que ainda hoje limita as exportações de carne bovina brasileira - a aftosa, considerada atualmente extinta no Paraná. ‘‘Os prolemas sanitários sempre nos afetaram, mas o principal er a aftosa. Não podíamos aceitar animais doentes na Exposição’’, relata o veterinário, que agora, aposentado da Secretaria da Agricultura, presta serviço à Sociedade Rural.
Ele lembra ainda que, além de animais de raça indefinida, existiam na região ‘‘alguma criação melhorada’’ de gir e nelore, entre o gado de corte, e holandês, que já era criado por alguns produtores de leite. ‘‘Antes o nelore e o gir predominavam; depois o nelore dominou absoluto, e nos últimos anos o simental passou a ser uma das raças mais numerosas nas exposições de Londrina’’.
ÇComo especialista, Carmo Rocha tem observadso que de ano para ano o gado vem melhorando. ‘‘ Sempre em detacam e sempre melhorando, o nelore e o simental, além de outras raças’’. Destas, o veterinário destaca a raça hiolandesa como a que ‘‘ultimamente tem apresentado melhorias sensíveis.’’

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