Analisando a feira agropecuária como festa, Raimunda de Brito diz que ‘‘a Exposição é o Carnaval que Londrina não tem’’. Para ela, o desfile das escolas de samba que se promove todos os anos no autódromo não é Carnaval. ‘‘O povo nem gosta de ir ao autódromo, que é um espaço elitizado. Então aqui não existe Carnaval’’, sentencia.
A analogia que ela faz é ao Carnaval carioca. ‘‘Há coisa mais artificial do que o Carnaval do Rio? Lá as pessoas se preparam durante meses e investem tudo o que têm naquelas fantasias só para terem dois dias de glória. Para mim, a Exposição tem um pouco disso. São 10 dias em que as pessoas saem do mundo real. As coisas podem até estar faltando em casa, mas todas dão um jeito de guardar um dinheirinho para irem à feira. Parece que se criou nas pessoas a mentalidade de que, se não foram aquele ano na Exposição, ficou faltando alguma coisa’’, observa.
Apesar de reunir multidões, a feira não é uma festa popular, na avaliação da professora. ‘‘Não é popular porque ela não surge do meio do povo e porque o povo não se apropria dela, como ocorre, por exemplo, com o Carnaval nordestino. Na verdade é uma festa de massa, porque o povo é espectador daquilo que está sendo mostrado nos estandes ou no palco. Para mim, é a cultura de massa elevada à oitava potência. Aquelas moças e aqueles rapazes da cidade vestidos de cowboy... É muito engraçado. É um fenômeno que só acontece durante uma semana’’, analisa Raimunda.
Outro paralelo que a professora da UEL traça entre a cidade e a feira é quanto à rapidez como as coisas acontecem. ‘‘Aqui tudo parece muito apressado de se fazer. Assim foi na colonização, no ciclo do café e depois na verticalização. Tudo em Londrina é construído com pressa. E a Exposição me parece ser assim também: a montagem instantânea de um cenário grandioso para apenas dez dias. Depois que ela passa, as coisas voltam ao normal no dia seguinte’’, comenta a docente.(J.K.)

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