Verduras produzidas sem agrotóxicos têm garantido a boa rentabilidade de três produtoras em Londrina. As irmãs Lucivana Moreira dos Santos, 30 anos, Márcia, 28, e Érica, 18, conduzem uma área de quase cinco hectares, próximo ao Jardim Maria Lúcia, zona oeste de Londrina. Elas estão na atividade há mais de cinco anos, mas contabilizam bons resultados há pouco mais de um ano, quando optaram pela conversão para o sistema de cultivo orgânico.
Diferente da opção de trabalho de outra moças da idade delas, o trio não esconde a satisfação em lidar com a terra. Elas cuidam praticamente sozinhas de todo o serviço, desde o preparo dos canteiros, produção das mudas, até a colheita e venda da hortaliças. ''Só contratamos auxiliares quando não estamos dando conta da capina'', afirma Lucivana.
Até o final do ano passado a área de cultivo era de três hectares onde se dedicavam à produção de folhosas. Com o sucesso, elas decidiram incorporar mais uma área vizinha de 1,8 hectares, que está sendo preparada para o plantio de pepino e abobrinha. A propriedade é arrendada e, mesmo não revelando valores pagos, Lucivana diz que o ganhos estão permitindo ''viver com tranquilidade''.
A preocupação com a qualidade das hortaliças e com o meio ambiente, foram os principais incentivadores para a mudança no sistema de cultivo, revelam. ''Não poderíamos continuar produzindo o que não tínhamos coragem de comer'', conta Márcia
Como ocorre em qualquer mudança, o trio não esconde o medo inicial de abandonar o uso dos agroquímicos. ''Temíamos perder a produção com o ataque de pragas''. Mas os resultados que vêm obtendo mostram que as plantas estão se tornando mais resistentes à medida que recuperam o equilíbrio do solo.
A horta está dividida entre canteiros em cultivo e áreas de pousio para a recuperação de microorganismos e micronutrientes da solo. ''A saúde das plantas oferece resistência ao ataque de pragas e doenças'', garantem. Além da adubação verde, o solo recebe um reforço com cama de frangos. Érica informa que o próximo passo é o preparo de compostagem aproveitando os restos de cultura.
O ambiente tem atraído a atenção também de muitos pássaros, que segundo Lucivana, auxiliam no controle de lagartas. O combate aos insetos é feito apenas quando a população oferece riscos econômicos. Aí, são aplicados caldas naturais, como a água de fumo ou o óleo de nim.
Ainda como reforço na adubação do solo, as produtoras plantaram nas curvas de nível mudas de timbó uma árvore que auxilia na reciclagem de nitrogênio e aumenta a capacidade produtiva. A área, segundo o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Mrtvi, da Emater, que é o representante de agricultura orgânica do norte do Paraná, é uma unidade de demonstração do timbó como alternativa de produção perene de adubo verde.
A ampliação da área plantada está exigindo melhorias no sistema de irrigação da propriedade. Para isso as três irmãs estão em busca de recursos junto às linhas de financiamento do governo federal, como o Pronaf C Investimento. O projeto está sendo elaborado pela Emater.
Lucivana informa ainda que a comercialização dos produtos ocorre no local, com donos de sacolões e moradores do bairro vindo buscar os produtos na horta. Não tem sobrado produção, mas ela admite que precisam melhorar o sistema. ''Em breve deveremos contratar parcerias de venda''.

Serviço:
Contatos com as produtoras Lucivana, Érica e Márcia podem ser feitos pelo telefone 3347-0377. As cestas orgânicas podem ser solicitadas pelo telefone 9117-3272.

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