O campo segura a balança comercial do País
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sexta-feira, 01 de maio de 2015
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Ribeirão Preto Disponibilidade de crédito agrícola, condições de financiamento para custeio da safra, alta nos juros dos programas federais para renovação da frota de maquinários, preço das commodities, crise. Estes são foram os temas mais discutidos pelas empresas participantes da 22ª Feira Internacional de Tecnologia em Ação (Agrishow), que terminou ontem, em Ribeirão Preto (SP). A incerteza sobre o futuro próximo, entretanto, não desanima os empresários, que já se prepararam para enfrentar a fase crítica pensando a longo prazo.
Para Sérgio Rial, presidente do conselho administrativo do banco Santander, uma das instituições privadas que ofertaram crédito durante a feira, "não falta recurso para o agronegócio, o que se discute é rentabilidade". Só para a Agrishow, o banco disponibilizou R$ 800 milhões em linhas pré-aprovadas de crédito e espera negociar valores muito maiores até o final da feira. "Só nos três primeiros dias tivemos uma ata de 30% nos valores negociados em relação a 2014", citou o presidente.
Uma das estratégias do Santander para captar negócios foi a criação de núcleos de crédito destacados, que agilizam a liberação do dinheiro aos produtores. "Um dos principais resultados foi a redução em 40% no prazo das liberações de recursos", destacou Rial. Para ele, há espaço para todos as instituições financeiras atuarem no segmento. "Inclusive temos parcerias com montadoras, mas a decisão final é sempre do cliente."
Para o diretor comercial da Valtra, Paulo Beraldi, no entanto, o momento é de cautela. "Não vai ser um ano fácil para os tratores, com uma queda estimada nas vendas de 16% a 20%, e de 25% para colheitadeiras, e por isso estamos ajustando a fábrica para um mercado menor", afirmou o diretor, lembrando que o grupo AGCO, que engloba a Valtra, demitiu 8% da mão de obra de linha já no ano passado para otimizar a produção. "Somos uma empresa conservadora, que quer sobreviver, por isso estamos preparados para um ajuste difícil. Temos um estoque sob controle e estamos otimizando os recursos na fábrica para sermos mais competitivos", completou Beraldi.
Já o diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Cornacchioni, acredita que "o campo é que segura a balança comercial e o Produto Interno Bruto (PIB)". "É preciso olhar o tamanho da crise para cada um. No agronegócio, algumas cadeias estão indo muito bem, como grãos, boi, em função do câmbio, que está ajudando o produto a obter melhores preços", analisou.
Na opinião de Corncacchioni, a competitividade no Brasil esbarra ainda na falta de infraestrutura. "Temos um custo duas vezes maior que o da Argentina e três vezes maior que o dos Estados Unidos, mas mesmo assim o produtor não vai deixar de investir. Só este ano esperamos um recorde na produção de grãos, que deverá ficar em 202 milhões de toneladas", disse o executivo da Abag, reforçando o bom momento das cadeias de proteína animal, especialmente do frango, que devem manter os bons preços.
A jornalista viajou a convite da organização da feira.


