O campo pela cidade
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sexta-feira, 21 de julho de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Houve um tempo em que quase todo mundo tinha um pezinho no campo. Muitos moradores das cidades tinham vindo de sítios e fazendas e vários ainda mantinham na terra algum parente. Hoje existem jovens e crianças que nunca viram de perto um cavalo, uma vaca ou uma plantação.
Confinados nos grandes centros urbanos, cercados pelos computadores, fábricas e produtos industrializados, é fácil esquecer de quem trabalha lá longe, entre a poeira e o cheiro de mato. Graças a essa distância é possível encontrar na cidade opiniões tão diferentes sobre o agricultor, seu papel na sociedade, seu estilo de vida e seus problemas. Para alguns ele é o dono de fazendas, para outros é o trabalhor que acorda cedo e passa o dia na lida.
''Nosso país tem dimensões continentais e temos diferentes níveis de agricultura. O agricultor familiar ainda existe, mas muitos deles estão buscando informação e não são mais aquelas pessoas distantes do conhecimento tecnológico'', diz o diretor executivo do Instituto Genesis, que trabalha com certificação agropecuária, Marcelo Rocha Holmo.
Para ele, a exportação de produtos faz com que o agricultor precise se capacitar para ter mecanismos melhores de controle e melhoria dos produtos. ''Ele precisa ter informações sobre boas práticas agrícolas e se adaptar ao mercado externo, conseguir certificados que garantam a qualidade do produto'', explica.
Essa é a visão da administradora Juliana Helena Jorquera, 21 anos. Para ela, o agricultor é um profissional como outro qualquer, que está em busca de se desenvolver e melhorar seu trabalho. ''Tenho um irmão e meu pai que são técnicos agrícolas e sei que os agricultores hoje buscam ajuda e informações. O problema é que eles ainda dependem muito do clima e quando perdem a produção, o governo não ajuda muito. Gostaria de ter um sítio ou chácara, mas só para lazer. Não saberia como trabalhar com a terra'', comenta.
De acordo com o presidente do Insitituto Genesis e agropecuarista, Henrique Victorelli Neto, o pensamento de Juliana está correto. Ele lembra que existem culturas de risco mais elevado e de menor risco, mas em qualquer uma delas, conhecer o negócio é fundamental para o sucesso. ''A agricultura é um bom campo de trabalho para profissionais. A idéia romântica do trabalhor rural foi substituída pela concorrência'', afirma.
Ainda assim, ele tem uma descrição bastante poética sobre a importância do agricultor. ''Trabalhar com a terra é uma dádiva. É gerar e manter a vida, provendo a alimentação das pessoas e agora energia também, com as fontes alternativas de combustível'', diz.
''Tenho tios que são agricultores e a visão que tenho dessa profissão é de muito trabalho. Principalmente aqueles que lidam direto com a terra, que acordam cedo, comem em marmitas, eles levam uma vida dura. Acho que eles deveriam se unir mais para pedir apoio do governo'', comenta a garçonete Jennifer Berguer de Souza, 24 anos.
No que todos concordam é com a necessidade de mais ajuda governamental tanto para os grandes quanto para os pequenos produtores. ''Cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional vem do campo e os produtores não recebem o tratamento ideal. Deveríamos ter mais investimentos em infra-estrutura e segurança animal, bem como diminuição de impostos para insumos e meios de transporte'', enumera Holmo.
''As cooperativas são boas opções. Com elas é possível fazer melhores negócios e exigir mais vantagens. O nosso problema é que existem muitos órgãos, como secretarias e associações, que não fazem muita coisa'', lembra Victorelli.
''Não entendo muito sobre a situação do agricultor, mas imagino que se eles pedem mais apoio é porque precisam. Tenho um cliente que trabalha com isso e até estudou na Holanda para se aperfeiçoar, é um administrador mesmo. Se houvesse mais ajuda, acho que seria muito melhor para a produção'', afirma a empresária Denise Sayuri Oda, 26 anos.


