Satisfação. A palavra resume a opinião de agricultores da região de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), que adotaram o sistema de produção orgânica aliado à diversificação de cultura. A região, segundo a agrônoma da Emater, Ernestina Izumi Muraoka (Tina), é composta, em sua maioria por pequenas propriedades. Então, para garantir a sustentabilidade desses agricultores o ''caminho'' apontado foi a diversificação. Lá se encontra de tudo: grãos (soja, trigo, milho, feijão), fruticultura (citrus, uva, banana, lichia, atemóia), café, horticultura.
A prática da agricultura orgânica está sendo introduzida aos poucos, para um mercado não tão recente, mas promissor. Tina é apontada por todos os agricultores visitados pela equipe de reportagem da Folha Rural como ''responsável'' pela opção produtiva. ''Somos uma cidade que não enfrenta crises'', limita-se a comentar. As regras para a agricultura orgânica, segundo a agrônoma, são ditadas pelo Instituto Biodinâmico, com sede em Botucatu (SP), responsável também pela certificação dos produtos.
A primeira característica de uma região de plantio orgânico e a presença de uma barreira física, ou seja, uma cerca viva que isola a área do contato com agrotóxicos utilizados em propriedades vizinhas. O IBD, informa Tina, preconiza que, para áreas pequenas, a proteção tem que ser de 10 metros. Em Uraí eles adotaram o capim napier, pois oferece boa ''vedação'' numa faixa menor de proteção. Mas, por garantia, a colheita dos 10 primeiros metros dos produtos são colhidos para o sistema convencional.
O produtor Paulo Shuji Mori cuida de três propriedades em sociedade com dois filhos, um deles trabalha no Japão. Numa delas com 2,5 alqueire, ele destina ao cultivo de 30 mil pés de café orgânico. Ele trabalha também com a soja orgânica mas ainda em fase de conversão, que dura três, na próxima safra ele já espera receber o a certificação. ''É bom demais, não dependo de multinacionais e preparo o produto que aplico nas minhas lavouras'', diz. O café ele se prepara para o início da colheita.
Mori admite que os orgânicos dão mais trabalho, exigem vigilância constante e dependem de mais mão-de-obra. Mesmo assim, não está disposto a retornar ao método tradicional. A adubação na raiz é feita com compostagem de produtos naturais. Ele aplica sempre um reforço foliar, com o super-magro, um biofertilizante caseiro que complementa a parte nutricional da planta. A produção do biofertilizante segundo ele demora 60 dias. A matéria-prima, nada mais é que esterco de gado, leite, melaço, erva daninha retirada da propriedade a mais viçosa que se encontrar , leite fermentado (devido aos lactobacilos) e ainda microelementos (farinha de osso, calcáreo, zinco, bóreo molibidênio).

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