O café já foi a base da economia paranaense até meados do século passado. Com a crise econômica do setor e a grande geada de 1975, o mercado perdeu força para a produção do grão. Entretanto, o Paraná já trabalha para voltar a ser referência no setor, mas, desta vez, o objetivo do Estado é investir em café de alta qualidade. Para conseguir tal feito, algumas regiões vêm se especializando no segmento e já começam a colher bons frutos.
Grandes Rios, na Região Norte, é um grande exemplo. O município baseia 69,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na produção de café com baixos índices de impurezas. Em uma área total de 3 mil hectares de área plantada, há 738 pequenas e médias propriedades que se dedicam exclusivamente ao cultivo do grão. Com essa dedicação e um apoio técnico especializado, o município possui uma média de produtividade de café adensado de 35 sacas por hectare, 11 sacas a mais do que a média estadual.
Nelson Menoli Sobrinho, técnico extensionista da Emater de Grandes Rios, aponta que essa alta produtividade decorre de um forte empenho por parte dos produtores do município. Ele reforça que os cafeicultores têm por objetivo produzir uma bebida que atenda aos mercados mais exigentes. Essa alta produtividade, argumenta o técnico, é consequência dessa dedicação. Outro fator que possibilitou essa conquista, argumenta Sobrinho, são as boas condições de solo e clima que a região possui.
''Grandes Rios está localizada em uma região de temperaturas amenas. Isso propicia um maior tempo de maturação da fruta no pé'', destaca Sobrinho. Ele explica que grande parte dos polos de produção do Estado geralmente tem a qualidade do grão comprometida devido ao frio extremo ou às elevadas temperaturas. Em ambientes mais quentes, exemplifica o técnico, o fruto amadurece muito rápido, o que compromete a produção adequada e homogênia dos compostos naturais do grão, principalmente no que diz respeito à distribuição de açúcares no interior do fruto.
Além de ter um clima favorável, Grandes Rios conta com produtores que descobriram que com apoio técnico especializado não é difícil produzir café de qualidade. A Emater, em parceria com a Associação dos Cafeicultores de Grandes Rios (Acafé), tem realizado nos últimos anos uma série de trabalhos com os cafeicultores, cujo objetivo é fomentar a produção de café com altos índices de pureza e produtividade. Por meio de visitas técnicas, palestras e dias de campo essa meta tem sido conquistada.
Ações simples, como a realização de análises de solo, adubação adequada das plantas e o planejamento rigoroso da safra têm garantido bons resultados ao cafeicultor. Adão Santo Daré é um exemplo do sucesso desse projeto. Em uma área de 3,5 hectares, o produtor conseguiu na última safra uma produtividade média de 50 sacas por hectare.
Uma das técnicas adotadas pelo produtor, recomendadas pelos técnicos da Emater, foi o sistema de podagem. Em ciclos alternados, Daré realiza a poda completa da maioria dos talhões, deixando as plantas praticamente ''peladas''. Com esse tipo de manejo, chamado safra 0 e 100, Daré garante uma alta produtividade no próximo ciclo.
O produtor explica que logo depois de ter adotado esse sistema, os resultados apareceram já na primeira safra cheia. Ele enfatiza que isso só foi possível devido à ajuda que obteve da Emater e da associação. ''Além disso, não posso deixar de mencionar a qualidade de nossa região. Aqui, por exemplo, a geada não nos pega. Isso porque estamos em uma área de morros que protegem os cafezais. Agregado a isso, também temos um solo altamente nutritivo '', comemora Daré.

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