O café e o Banco do Brasil
Ricardo Alves da Conceição
O esforço cotidiano do produtor - semear, zelar, colher, comercializar e novamente semear - é a base de todas as ações na cadeia produtiva. Reconhecendo o papel fundamental do produtor, é oportuno contextualizar as diversas ações do governo no apoio à agricultura, considerando o passado, o presente e o futuro.
Do passado, subsiste um espectro de pendências contratuais que, aos poucos, com o esforço de todos, vai sendo resolvido, mediante a securitização das dívidas até R$200 mil, o saneamento das cooperativas e o equacionamento das demais dívidas. No presente, com a criação da Cédula de Produto Rural (CPR), o governo disponibilizou para o produtor uma forma de realizar negócios na moeda que ele conhece: o produto.
A CPR veio para:
unir a ponta vendedora à compradora, com local certo para entrega do produto, criando os primeiros elos da cadeia;
assegurar os preços futuros da produção a ser preparada, de sorte a não ficar exposto a oscilações de mercado;
estimular o uso do mercado de opções agropecuárias, pelo produtor que não queira correr o risco de descolamento de preços;
permitir que o agente financeiro apóie as pontas vendedora e compradora;
ser um instrumento de captação, na medida em que o produtor, ao receber antecipadamente, pode aplicar em operações financeiras a parte não utilizada na formação da lavoura;
ser comercializada no mercado secundário.
Firme nesse rumo, o agronegócio do café do Brasil vem se destacando, porquanto:
tem estratégias harmônicas de atuação, formuladas pelo CDPC;
desenvolve ações de marketing interno e externo, por meio de seus diversos segmentos;
dedica-se a programas de qualidade;
dispõe do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo como um atento e eficiente apoiador;
lidera os negócios com cédulas de Produto Rural e com mercados futuros e de opções agrícolas;
tem o mercado como balizador de suas atividades e de seus objetivos;
No Banco do Brasil houve mudança de postura na concessão de créditos, na avaliação de riscos e no trato com o setor rural, buscando estabelecer uma parceria negocial consistente, que permita uma ampla visão do mercado e das suas circuntâncias por todos os envolvidos no negócio, sejam produtores, agentes financeiros, etc.
Tais práticas vêm dando excelentes resultados, especialmente no café, onde o banco:
detém financiamentos no valor presente de R$700 milhões, sendo R$500 milhões com lastro no Funcafé, e R$200 milhões provenientes de outras fontes;
no período julho-97/março-98 formalizou 32 mil contratos com cafeicultores, no valor aproximado de R$400 milhões;
operando o BB Leilão Eletrônico, já comercializou mais de 7 milhões de sacas de café, desde 1994, sendo quase 700 mil sacas de produtores, e o restante do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, movimentando um total de R$900 milhões;
avalizou, nas últimas três safras, Cédulas do Produto Rural correspondentes a 400 mil sacas.
Este ano a principal novidade é o serviço BB Garantia de Preços Agropecuários, que, com a atuação conjunta do cafeicultor e Banco do Brasil nos mercados futuros agrícolas, conjugados com Cédulas de Produto Rural, objetiva dar proteção ao produtor contra oscilações de preços e reduzir as incertezas de mais de mil contratos, correspondendo a 10% do volume de produtos agrícolas da BM&F. É o Banco do Brasil dando a sua contribuição para a modernização dos mercados.
Economia estável é uma realidade que força os agentes econômicos a buscarem a eficiência e a qualidade, sob pena de perderem espaços negociais. A cafeicultura brasileira dá fortes sinais de que está atingindo a competitividade necessária e continuará em expansão, na medida em que as reformas estruturais apresentam resultados e em que se reduz a sua dependência do Estado.
Conforme o quadro que se delineia, o atual governo tem usado a tempestiva e suficiente alocação de recursos, maximizando os seus efeitos, possibilitando o aumento da renda rural e o crescimento do superavit da balança comercial agrícola. Não se desloca do apoio à agricultura familiar - vide o Pronaf/BB-Rural Rápido, programa vitorioso também no setor cafeeiro -; firmam-se as bases da moderna agricultura brasileira, mediante a implementação de novos instrumentos de comercialização privada, em que a intervenção oficial seja mínima. Neste caminhar, o Banco do Brasil segue se firmando cada vez mais como o principal banco do agronegócio café e agribusiness em geral.
O autor é diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil.

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