Cotado a R$ 225 a saca de bedida dura (com até 20% de cata) e entre R$ 205 e R$ 210 a saca sem descrição de bebida (também com até 20% de cata), o preço do café ainda não é dos melhores, segundo o corretor Devanil Vicente Ferreira. ''Não é um preço bom. Se fosse um preço dolarizado, seria melhor''.
Apesar disso, a expectativa é de que o preço do produto melhore em função o Plano de Premiação ao Produtor Rural (Pepro), uma espécie de ''garantia'' do governo federal, que estipula uma meta de preço do café de R$ 300 a saca. ''Oprodutor teria que vender o café com preço mínimo de R$ 260 a saca para receber do governo um prêmio de R$ 39,99 que complementaria o valor estipulado'', explica.
Segundo o corretor, o volume de premiação é de cinco milhões de sacas, o que pode fazer com que as cotações internacionais melhorem devido à baixa oferta do café no mercado.
No País, este ano, devido à característica da bianualidade, a safra será menor com previsão de colheita de 32 milhões de sacas. Para 2008 a expectativa de safra aponta para uma produção estimada de 50 milhões de sacas. ''Tudo vai depender do clima e das condições de produção. Além disso, ainda dependemos da reação dos preços do mercado internacional'', afirma o corretor, que considera difícil prever os preços de forma antecipada.
Mais que os preços, a maior dificuldade dos produtores é com à mão-de-obra especializada para a colheita do café, praticamente inexistente no Brasil e por isso, muito cara. ''Os trabalhadores hoje têm a oportunidade de migrar para outras culturas e a mão-de-obra especializada necessária para o café acabou'', afirma o corretor da Bolsa de Valores e Mercadorias de Londrina, Marcos Bacceti. Além disso, a safra menor também influencia no preço do produto. ''Essa dificuldade dos produtores vem desde o ano passado e deve se complicar ainda mais''.
Uma saída para os produtores, segundo Bacceti, é buscar o máximo de mecanização na propriedade, para não depender da mão-de-obra especializada. ''Ou os produtores se adaptam ou terão que sair do mercado''.
De acordo com o corretor, o alto volume de exportação, a situação confortável dos importadores em relação aos estoques e a baixa do dólar, são os motivos para os baixos preços do produto hoje no mercado. ''É uma cadeia. O momento vivido pela cafeicultura é delicado, mas acredito que o mercado melhore''.

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