O Brasil pode confiar no trigo. Mais uma vez
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
As expectativas para a safra atual de trigo são positivas. O clima favorável, combinando com a alta dos preços no mercado internacional, tem sido um dos fatores estimulantes. A previsão para a safra nacional é de 5,8 milhões de toneladas.
Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), Otmar Hubner, mesmo com um aumento de 9% na área de plantio, a produção em 2004 deve ser a mesma de 2003.
É que o ano passado foi atípico para a cultura, que apresentou uma produtividade recorde de 2.600 kg/ha, graças ao clima excepcional. ''A produtividade esperada para esta safra é menor, 2.400 kg/ha. Mas temos potencial para superar este valor se o clima continuar favorável'', disse Hubner.
O cenário do trigo mostra que enquanto produtores do Mato Grosso do Sul e de São Paulo plantam o trigo entre março e abril e terminam a colheita em setembro, os gaúchos estão apenas iniciando o plantio e devem colher entre os meses de outubro e dezembro.
A expectativa dos produtores sul-matogrossenses é produzir cerca de 180 mil toneladas como em 2003. Já os paulistas esperam colher em torno de 100 mil toneladas, enquanto o Rio Grande do Sul, segundo maior produtor de trigo do Brasil, deverá colher até 2,3 milhões de toneladas nesta safra.
Líder nacional No Paraná, principal produtor brasileiro, apenas na região norte as lavouras já estão em floração. Na região oeste, os produtores estão na fase final do plantio, enquanto os agricultores das regiões sul e sudoeste ainda estão começando a plantar. No total, serão cultivados 1,3 milhão de hectares em todo o Estado.
Apesar de ocupar uma área 1% maior, a produção estimada para esta safra no Paraná seguirá os padrões nacionais e deverá girar em torno de 3,1 milhões de toneladas, a mesma produção alcançada em 2003. A cidade de Assis Chateaubriand (72 km ao norte de Cascavel) lidera a lista de produtores de trigo no Estado, seguida por Toledo e Londrina.
Na região de Maringá, cerca de 35 mil hectares já foram plantados e o trigo deverá ser colhido em agosto. De acordo com o engenheiro agrônomo Antônio Sacomã, coordenador técnico da Cocamar, o clima atual favorece o desenvolvimento da cultura e a expectativa é produzir 50 mil toneladas até o final da colheita.
Mesmo assim, a área destinada ao trigo na região ainda é pequena se comparada ao cultivo do milho safrinha. ''Hoje, a rentabilidade do milho ainda é maior que a do trigo'', analisou Sacomã.
Já os produtores de Cascavel e região apenas terminaram o plantio e também estão confiantes quanto ao andamento da lavoura, que até o momento está livre de pragas e doenças e apresenta um bom desenvolvimento vegetativo graças ao clima favorável.
O engenheiro agrônomo Laércio Boschini, assistente técnico da Coopavel, espera receber este ano 1 milhão de sacas de trigo, a mesma quantidade recebida pela cooperativa em 2003. No total, 80 mil hectares foram cultivados e devem ser colhidos entre agosto e setembro.
''Por ser um ponto mais alto do Estado, Cascavel é mais fria e adequada ao cultivo do trigo'', disse Boschini, ressaltando que a área destinada ao plantio do milho safrinha na região corresponde à metade da área do trigo.
Importação Apesar da produtividade recorde em 2003, o cultivo brasileiro de trigo ainda não atende totalmente a demanda nacional, que gira em torno de 10,1 milhões de toneladas. Neste caso, quando não existe trigo no sul, sudeste e centro-oeste do país, onde concentra-se a produção, as indústrias importam o grão da Argentina, que é colhido entre os meses de dezembro e janeiro.
Segundo o presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Roland Guth, o produto argentino foi o escolhido graças a proteção tarifária imposta pelo Mercosul. ''Outros países cobrariam cerca de 10% de imposto para a importação'', argumentou.
Guth destaca que a produção estadual é destinada às indústrias locais. No caso do Paraná, que produz cerca de 3 milhões de toneladas e consome apenas 1 milhão, o excedente é destinado aos mercados de São Paulo e Minas Gerais.
Preço O preço da saca gira em torno de R$ 30,00 e equivale aos patamares internacionais. Segundo Guth, a tendência é permanecer em alta até o final do primeiro semestre deste ano, quando ocorrem as colheitas na Austrália, Canadá e nos países integrantes da Comunidade Européia.
''Os estados brasileiros que colhem mais cedo não são prejudicados por uma possível alta nos preços, pois comercializam o trigo rapidamente, atendendo a demanda das indústrias'', ressaltou Guth.


