Em época de globalização e disputa de espaço da carne brasileira no mercado mundial, a espessura de gordura, cor e teor de maciez, entre outras características, são determinantes na hora de conquistar novos clientes. ‘‘Temos que trabalhar pelo diferencial para conquistar compradores,’’ garante o professor Antônio Carlos Silveira, coordenador do programa de novilho superprecoce da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu (SP).
Silveira é um dos especialistas que participarão dos Painéis da Pecuária de Corte da Feicorte 2002, evento que começa no próximo dia 5 no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. O professor da Unesp já trabalha no projeto de superprecoces há 12 anos, com objetivo de reduzir o ciclo de produção e proporcionar maior lucrativade aos pecuaristas que investem no confinamento para produção de carne. Ele acredita que o uso de animais cruzados, boa alimentação e manejo correto são as ferramentas necessárias para produzir o que chama de boi sob medida, ‘‘para atender o desejo dos mais diferentes clientes.’’
Na fazenda experimental da Unesp de Botucatu os novilhos superprecoces são abatidos entre 12 e 14 meses, com 17 arrobas e gordura de cobertura de carcaça de 3 mm, ‘‘nível que atende as exigências dos importadores de carne da Europa, por exemplo’’ garante Silveira. ‘‘Estamos produzindo carne tipo exportação dentro dos padrões de consumo da Europa’’, afirma.
Segundo Silveira, o sistema de produção adotado, além de encurtar o ciclo de produção, permite monitorar a gordura de cobertura. Nos EUA, nível é de 9 mm; na Europa, varia entre 3 e 5 mm. A taxa de desfrute obtida pelo programa da Unesp chega a 37%, contra a média nacional de 17%.
Quanto mais cedo for o abate, garante o professor, melhor será o resultado em qualidade da carne. Numa parceria com pecuaristas a fazenda da Unesp tem uma produção anual de 400 animais. Os bezerros são comprados no desmame, entre 8 e 9 meses de idade e ficam prontos entre os 12 e 14 meses. Na fazenda de origem esses animais recebem ração no creep-feeding e suplementação com leite da mãe, o que proporciona uma desmama mais pesada, chegando a ganhar entre uma a uma arroba e meia na desmama.
Quando chegam na fazenda experimental da Unesp os bezerros vão direto para o confinamento. O sistema de produção não tem a recria. No confinamento ganham média de 1,5 a 2 kg/dia e saem, com no mínimo, 16/17 arrobas. Além de controle do ganho de peso, há a análise da espessura de gordura da carcaça do animal, por meio de ultra-sonografia; verificação da maciez, coloração, ph (acidez), nível de colesterol, proteína, entre outros itens, com testes em laboratório montado dentro da fazenda.
Esse ano, exemplifica Silveira, foram abatidos animais meio sangue nelore com angus com uma média de 14 meses e 6 mm de gordura. ‘‘A espessura de gordura depende do comprador; cada país tem sua preferência. Quanto maior a espessura, maior será o custo de produção, basicamente com a alimentação dos animais. Mas o preço também terá um diferencial.’’

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