O azedo que adoça o bolso
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sexta-feira, 12 de maio de 2006
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
No município de Corumbataí (51 km a leste de Campo Mourão) a cultura do maracujá tem mudado a vida de pequenos produtores. A cultura foi implantada em 1999, como forma de melhorar a renda das propriedades até então, mantidas pela cultura do café. O projeto envolve 130 produtores com uma área total de 80 hectares (ha).
O maracujá entrou como mais uma opção de diversificação. O cultivo ocorre em pequenas áreas em média meio hectare e não houve necessidade de diminuir o espaço ocupado pelo café, destaca o técnico da Emater Rinaldo Antonio Clementin, que assessora o grupo. Os produtores estão tendo um ganho extra com maior rentabilidade, comemora.
Para o produtor Gerson Rodrigues da Cruz, o maracujá vem mantendo a família, diz. Ele produz 800 pés da fruta em produção que lhe rendem mensalmente cerca de 300 caixas (13 e 15 quilos) de maracujá para venda in natura, além de quase 2 mil quilos da fruta de qualidade inferior que são aproveitadas por uma indústria de suco. O preço médio da caixa do maracujá, segundo ele, está em R$ 15,00. É um ótimo negócio, resume.
Cruz destaca que o cultivo do maracujá demanda bastante cuidado e atenção, mas por ser uma área pequena, ele e a esposa estão dando conta do trabalho. Quando há muito serviço a gente contrata algum diarista, diz. Além do maracujá, o produtor tem cultivo de café em fase de recuperação e bicho-da-seda.
O técnico da Emater, Rinaldo Clementin, destaca que a cultura tem sido privilegiada pelo microclima da região, cuja temperatura média é de 22 graus Celsius. A ocorrência de chuvas também tem favorecido o desenvolvimento da fruta. No ano passado, quando houve períodos mais longos de estiagem, a safra teve uma quebra de 30%, diz Clementin.
A produção de maracujás tem atendido a demanda da fruta in natura de mercados da região, além de Maringá, Londrina, Cascavel e Curitiba. Há ainda os maracujás com destinação para a fabricação de sucos, com a produção sendo absorvida por uma indústria de Japurá.
Além da lucratividade dos produtores, o maracujá tem melhorado a oferta de empregos no campo. Clementim calcula que cada hectare de maracujá forneça de três a cinco empregos. Tem períodos em que falta mão-de-obra local e temos que trazer gente de cidades vizinhas, garante.
No município o maracujá está virando motivo de festa. Nas comemorações do aniversário da cidade, estamos promovendo a Festa o Maracujá. A festa se realizará no último final de semana de maio.
Além do maracujá e do caqui, os produtores iniciam o cultivo do morango. Um consórcio foi formado pela Associação de Produtores de Corumbataí do Sul (Aprocor). Gerson Cruz que preside a associação conta que foi arrendada uma área de seis alqueires que será dividida entre os interessados. Ele já conta com 100 mil mudas para serem plantadas.


