O avanço do cooperativismo
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sexta-feira, 02 de julho de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Após um período difícil, no início do Plano Real, as cooperativas paranaenses estão comemorando uma boa fase de receita e investimentos. Até 1998, as cooperativas viveram sufocadas pelo peso das dívidas acumuladas por sucessivos planos econômicos. Com o lançamento do Recoop, programa de recuperação das dívidas das cooperativas, e da securitização das dívidas do agricultor, foi possível alongar mais de R$ 800 milhões em dívidas. Foi o fôlego que precisavam para em seguida entrar em processo de modernização.
O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, atribuiu esse avanço à capacidade das cooperativas em renegociar um passivo que ameaçava a sustentabilidade do setor. Desde 2001, elas investiram R$ 1,1 bilhão em projetos de infra-estrutura e agroindustrialização que impulsionou o atual crescimento. As cooperativas investiram também em capacitação e treinamento de cooperados e funcionários que, na opinião de Koslovski, foi a estratégia acertada.
Paralelamente, as cooperativas passaram a buscar no mercado externo a sustentação de seus negócios. Hoje as cooperativas já exportam leite em pó, trigo, milho e queijos, produtos que não eram exportados antes, comentou.
Por conta das mudanças estratégicas, o setor vem aumentando ano a ano o faturamento, sem elevar o número de cooperativas. No ano passado, o faturamento das 204 cooperativas do Paraná atingiu um total de R$ 14 bilhões, o que correspondeu a 15% de todo o Produto Interno do Paraná (PIB), que foi de R$ 94,17 bilhões no mesmo ano.
A restruturação do setor permitiu ainda o aumento do número de cooperados, que hoje chega a 300 mil. Um dos fatores que faz aumentar a confiança do produtor é a distribuição das sobras. Para se ter uma idéia, em 2003, as cooperativas tiveram mais de R$ 550 milhões em sobras, dos quais cerca de R$ 300 milhões foram distribuídos entre os produtores. O restante será investido no setor de armazenagem, uma das prioridades diante do crescimento das safras agrícolas.
Esse é o diferencial do sistema, observa o presidente. São quase 100 mil cooperados que estão ganhando um adicional no final do ano por pertencerem a algum tipo de cooperativa, disse. Nos municípios onde elas não existem o produtor perde cerca de 21% entre compra de insumos mais cara e venda de produtos abaixo dos preços de mercado. A cooperativa hoje é uma referência de preços no mercado, salientou.
De acordo com Koslovski, as cooperativas conseguiram enxergar no mercado externo uma opção para remunerar melhor o produtor. Hoje não há condição no mercado para aumentar o consumo, justificou. Ele apresentou uma pesquisa que indica que o mercado interno seria mais promissor se houvesse aumento de renda da população, que até agora ainda não aconteceu.
O presidente da Ocepar lembrou ainda que o produtor cooperado tem como apoio uma rede fantástica de extensão rural, que soma 900 profissionais atuando na área de assistência técnica. Como resultado dos investimentos das cooperativas paranaenses em pesquisa e assistência técnica, o aumento da produtividade do Paraná na área de grãos foi de 100% nos últimos dez anos. Esse crescimento superou a média brasileira (85% no mesmo período).
Passado o período de reestruturação, as cooperativas já estão planejando as metas que pretendem alcançar nos próximos cinco a dez anos. Elas estão conscientes do deslocamento do foco da produção para a região centro-oeste do País.
As cooperativas devem pensar em vender o produto final que deve ser colocado na prateleira do supermercado, afirmou. Citou como exemplo, a inovação de algumas cooperativas que já estão produzindo alimentos pré-cozidos, destinados às gôndolas de supermercados. Outras estão utilizando a soja como matéria prima para medicamentos que estão sendo exportados.


