O algodão resiste
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sexta-feira, 09 de março de 2007
Reportagem Local 
A cultura do algodão já foi uma das mais importantes no Estado, chegando a ter uma área plantada de mais de 700 mil hectares no início da década de 90. Mas, nesta safra, a área não deve ultrapassar 10 mil hectares, segundo estimativa da Cooperativa Central de Algodão, Coceal, de Ibiporã, formada pelas cooperativas Integrada, Corol, Cofercatu e Valcoop.
Para não deixar a cultura desaparecer no Estado, a cooperativa desenvolveu um projeto para estimular o plantio do algodão entre os produtores paranaenses. ''O algodão evoluiu bastante e hoje é possível plantar variedades mais precoces e com ciclos mais curtos para fugir da chuva na colheita'', argumenta o presidente da Coceal, Almir Montecelli.
O projeto é uma parceria entre a cooperativa, produtores e quatro multinacionais (Bayer, Syngenta, Iharabrás e FMC). A Coceal se responsabiliza pelo processo produtivo. ''Acompanhamos todos os estágios da lavoura, como o fornecimento de insumos, assistência técnica duas vezes por semana e também ficamos responsáveis pela colheita e comercialização da produção'', afirma Montecelli. ''Ao produtor, fica a responsabilidade da aplicação dos defensivos e custos de combustível e acomodação do operador da colheitadeira'', completa.
O projeto tem contrato anual e a remuneração do produtor é baseada em uma tabela de produtividade. ''Quanto maior a produção, maior o lucro. Se colher acima de 230 arrobas por alqueire, por exemplo, o lucro é de 35% sobre a produção'', contabiliza Montecelli.
O projeto começou em 2005 e hoje tem 34 produtores, com uma área plantada de 2,8 mil hectares. Pela expectativa inicial da Coceal, nesta safra o resultado bruto para o produtor deve girar em torno de R$ 1,1 mil por hectare. ''Nosso objetivo é implantar uma área de cinco mil hectares de algodão no Paraná, com uma produtividade média de 210 arrobas por hectare'', afirma Almir Montecelli.
Uma das vantagens do Paraná em relação aos outros estados produtores no País é a época de colheita. Como aqui o algodão é colhido entre março e abril, o produto acaba entrando no mercado antes dos principais produtores nacionais, como o Cerrado e a Bahia. ''Isso cria uma janela de oportunidade de venda em maio e junho, meses em que não há concorrência com produto de outras regiões'', analisa o consultor de mercado Oldemar Santos Filho.


